Haddad deve integrar delegação de Lula que vai aos EUA e adiar mais uma vez saída do governo

 

Fonte:


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi escalado pelo Palácio do Planalto para participar da viagem presidencial de Luiz Inácio da Silva aos Estados Unidos, prevista para o mês que vem, e deve adiar mais uma vez a saída do governo. No encontro, o governo conta com a ajuda de Haddad para avançar nas negociações de um plano de cooperação na área de segurança nacional e de combate à lavagem de dinheiro com o presidente americano, Donald Trump.

Medida: Governo eleva tarifas de importação de mais de 1.200 produtos, incluindo computadores, celulares e componentes eletrônicos

Fabio Graner: Com fundos na mira, Receita quer entender 'grau de contaminação' de gestoras e administradoras de recursos na execução de ilícitos

Inicialmente, o desejo do chefe da Fazenda era deixar o cargo em meados de fevereiro, mas os planos foram adiados devido a um pedido do presidente da República para que integrasse a comitiva na viagem à Índia e à Coreia do Sul, onde estão neste momento. Em meio aos compromissos na Ásia, há uma expectativa que seja definido o futuro de Haddad nas eleições deste ano: se será candidato por São Paulo ou se apenas participará da campanha à reeleição de Lula, como é seu desejo.

Se for concorrer ao governo paulista ou a uma vaga no Senado, o ministro da Fazenda tem de deixar o cargo até o início de abril. A visita à Casa Branca ainda não tem data marcada, mas deve acontecer em março.

Como mostrou O GLOBO, no encontro, Lula deve voltar a pedir a Trump o estreitamento da cooperação para investigar e prender “grandes criminosos” tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Na conversa bilateral, um dos alvos de Lula, segundo integrantes do governo, deve ser o empresário Ricardo Magro, acusado pela Polícia Federal (PF) de dar um calote R$ 26 bilhões nos cofres públicos ao sonegar impostos.

O dono da Refinaria de Manguinhos, no Rio, controlada pelo Grupo Refit, foi alvo de operação no fim do ano passado, feita em parceria entre a PF e a Receita Federal. Magro vive em Miami, no estado da Flórida, e, de acordo com a investigação, o grupo é suspeito de movimentar recursos por meio de offshores em Delaware, um paraíso fiscal americano. Ele e a empresa negam as irregularidades.

O chefe da Economia despontou como um dos principais porta-vozes do governo no combate ao crime organizado na segunda metade do ano passado. Após a operação contra a Refit, em novembro de 2025, Haddad passou a defender publicamente a inclusão do tema nas negociações bilaterais com os Estados Unidos, naquela época pautada pelo tarifaço imposto por Trump - agora parcialmente derrubado pela Suprema Corte americana. O secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, chegou, inclusive, a fazer uma apresentação para Lula sobre o tema.

Em dezembro, Lula conversou por 40 minutos ao telefone com Trump e, em evento no Palácio do Planalto, afirmou que havia pedido para que o presidente americano detivesse o dono da Refit.

— Eu liguei para o presidente Trump, dizendo para ele que, se ele quiser enfrentar o crime organizado, nós estamos à disposição. E mandei para ele, no mesmo dia, a proposta do que nós queremos fazer. Disse para ele, inclusive, que um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro, que é o maior devedor deste país, que é importador de combustíveis fósseis, mora em Miami. Então se ele quiser ajudar, vamos ajudar prendendo logo esse aí.

Neste domingo, durante coletiva em Nova Délhi, Lula voltou a tratar o tema.

— Essa pessoa mora em Miami, nós mandamos para o presidente Trump a fotografia da casa dele, o nome dele. E nós queremos essa pessoa no Brasil. É para combater o crime organizado? Então nos entregue os nossos bandidos — disse.