Haddad avalia que 'pecado original' do caso Master está na gestão de Campos Neto no BC

 

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O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad avaliou em entrevista ao Viva Voz CBN nesta segunda-feira (23), que o "pecado original" do caso Banco Master está na gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central. Haddad destacou que todas as decisões do BC que foram tomadas à favor do banco aconteceram entre o final de 2019 e o final de 2024, justamente o período em que Campo Neto era o presidente.

"Existe um pecado original[...] De colocar 80 bilhões na mão de uma pessoa que quase quebrou o sistema financeiro, quase quebrou o Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. [...] Não que os outros pecados sejam de menor importância, mas todos são derivados desse. Tudo começou ali", defendeu.

Sobre a expectativa em torno da delação de Daniel Vorcaro, Haddad ressaltou a importância do rigor legal:

O que eu oro para acontecer é que essa delação seja feita da forma mais qualificada tecnicamente, que toda a afirmação seja acompanhada de indícios que corroborem a narrativa, não seja uma coisa leviana, contra inimigos, não seja nada leviano, que venha acompanhado, conforme a lei determina, de algum indício, algum documento, alguma coisa que corrobore a narrativa do delator, e que as pessoas sejam investigadas a partir daí.

Ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad em entrevista à CBN

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Corrida eleitoral

Fernando Haddad conversou com as apresentadoras Vera Magalhães, Débora Freitas e Carolina Morand. Ele falou sobre a decisão de deixar o Ministério da Fazenda para disputar o governo de São Paulo e destacou que uma de suas motivações foi o fato de a sociedade estar muito polarizada e que isso coloca em risco uma série de valores nos quais ele se identifca. Em sua visão, ao participar de um debate em alto nível em São Paulo, ele ajudará no debate nacional:

"E eu acredito que a participação de alto nível num debate em São Paulo ajuda, de uma maneira geral, o país. Uma vez que 20% do eleitorado está aqui. Então é uma maneira de colaborar com o debate nacional".


Marcio França

Em declaração ao jornal O Globo nesta segunda-feira (23), o ministro das Micro e Pequenas Empresas, Márcio França (PSB), disse que vai conversar com o presidente Lula para se lançar como candidato ao governo de São Paulo. O mesmo cenário ocorreu em 2022.

Questionado quanto à possibilidade de divisão dos votos no campo progressista do estado, Haddad disse que não tem nenhuma objeção quanto às vontades do colega.

“Márcio é uma pessoa respeitável e pode colocar suas pretensões sem nenhum constrangimento. Nós vamos agregar forças, já no primeiro turno, respeitando quem eventualmente pense diferente. Em 2022, o Márcio sustentou a candidatura ao governo do Estado até o último minuto. Não houve nenhum problema de relacionamento enquanto a candidatura dele se manteve e não será agora que mudará nosso entendimento sobre o PSB, inclusive porque somos aliados em muitos estados do país”, falou.

Privatização da Sabesp

Diante dos possíveis debates para o período eleitoral, é possível que a privatização da Sabesp, concluída em julho de 2024, permeie boa parte. Em 2022, quando concorreu ao governo de São Paulo e foi derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), a privatização já era discutida. Haddad diz que, na época, estudou o assunto e que pretende retomá-lo.

“Eu estudei o assunto para a campanha de 2022 e verifiquei que em vários países do mundo houve uma reestatização dos serviços em virtude da perda de qualidade e do aumento do preço. Disse para ele (Tarcísio) que (a privatização) era um risco que ele estava tomando sem os estudos devidos. Ele estudou em três meses e, outros três meses depois da posse, já estava anunciando a privatização. Quero crer que em três meses você não consegue fazer um estudo sobre um assunto desses”, disse.

O ex-ministro menciona que deseja poder debater o assunto com o atual governador durante a corrida para o cargo, apesar de ter sentido “falta de disposição” de Tarcísio para a argumentação.

“Já fui vítima desse tipo de coisa em 2018, quando Bolsonaro não apareceu em nenhum debate comigo. (...) Ninguém precisa temer debater comigo, porque eu sempre discuto teses. Não tem ofensa pessoal, não tem fake news, tem tese. Então, quem quer que seja candidato a governador do Estado, vai contar com um concorrente leal”, argumentou.

Assista à entrevista completa: