Alberto Conrad Lowndes, CEO da Haco: “Teremos um robô que vai saber exatamente onde está um pedido dentro da fábrica, qual o processo, quando vai faturar"
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A catarinense Haco Etiquetas, que completa 100 anos em 2028, está investindo em digitalização para acelerar processos e ampliar sua competitividade no mercado global de identificação para marcas de vestuário.
Com uma produção diária acima de 1 milhão de metros de etiquetas e confecção anual de 6 bilhões de itens, a empresa já é fornecedora de marcas como Nike, Adidas, Lacoste, Calvin Klein, Ermenegildo Zegna e Karl Lagerfeld.
“Acho que essa vai ser, potencialmente, a maior mudança da história da Haco”, afirma o CEO Alberto Conrad Lowndes, da quarta geração da família fundadora.
Para aumentar a presença no mercado global, a empresa está investindo de R$ 15 milhões a R$ 20 milhões por ano na importação de maquinários de ponta da Suíça, Alemanha e Itália.
A Haco aposta na combinação de softwares e equipamentos, como robôs de monitoramento fabril, para usar dados de forma estratégica e fazer análises preditivas de demanda.
Atualmente, a empresa exporta para mais de 40 países e gera aproximadamente 1,3 mil empregos.
Lowndes diz que a empresa cresce em média 15% ao ano, mas a meta é avançar entre 18% e 20% em 2026.
“Teremos um robô que vai saber exatamente onde está um pedido dentro da fábrica, qual o processo, quando vai faturar.
Ele vai ter informação em um minuto, muito mais assertiva.
Estamos bem fortes nessa pauta”, observa o CEO.
Há cerca de dois anos, a Haco iniciou uma profunda transformação digital na operação com o auxílio de uma consultoria externa.
O processo de digitalização abrange atividades que vão desde a fiação até a mesa de negociação com o cliente.
Lowndes diz que o objetivo é antecipar a demanda das empresas, com ferramentas de gestão de relacionamento (CRM).
“As empresas que conseguirem de fato adaptar suas operações para a realidade de demanda de cliente, de expectativa, de velocidade, de experiência, são as que vão estar à frente”, avalia.
O portfólio da companhia compreende 13 linhas de negócios, incluindo etiquetas produzidas no tear, cadarços, sacolas, tags, lacres, emborrachados, itens em Glow 3D e etiquetas inteligentes de radiofrequência (RFID).
Lowndes conta que a divisão de RFID é a área de crescimento mais acelerado do grupo, atendendo grandes redes varejistas e em expansão contínua no mercado de pequenas e médias marcas.
Nesse produto, a etiqueta convencional embute em sua estrutura um pequeno chip, que funciona como um processador em que o fabricante ou lojista pode inserir a informação que desejar sobre o produto.
A inovação na companhia é sustentada por um núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) estruturado há 15 anos.
Entre as criações de maior destaque está o brasão sustentável da Seleção Brasileira para a Nike.
“A Haco é a pioneira no desenvolvimento de brasões utilizando matéria-prima 100% reciclada de garrafas PET”, diz Lowndes.
A empresa também produz insumos esportivos de alta tecnologia para clubes das séries A e B do futebol nacional e para seleções internacionais, como a argentina.
A trajetória da Haco teve início em 1928, quando a imigrante alemã Johanna Conrad comprou uma pequena fábrica de cadarços em Blumenau (SC).
A linha de sucessão passou de Johanna para seu filho, Carl Heinz Conrad, e depois para Ricardo Lowndes, genro de Carl.
Em 2012, Alberto Conrad Lowndes, filho de Ricardo, assumiu como CEO, aos 30 anos.
Hoje, a companhia mantém operações fabris em Massaranduba (SC) e em Eusébio, no Ceará, além de uma unidade internacional em Covilhã, polo têxtil da região da Serra da Estrela, em Portugal.
A empresa fornece etiquetas e emblemas para marcas como Nike, Adidas, Calvin Klein e Lacoste - é a Haco que produz o icônico jacaré das camisas, que é exportado para mais de 20 países.
A fábrica de Portugal atende grifes europeias sofisticadas, como Ermenegildo Zegna e Karl Lagerfeld.
A Haco também fornece para gigantes do varejo como Zara (incluindo sua cadeia de fornecimento global em regiões como Marrocos), Lojas Renner, Riachuelo e o Grupo Havan, que é o maior cliente na divisão de etiquetas inteligentes com tecnologia RFID.
Haco, de etiquetas, investe em digitalização
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