Häagen-Dazs saiu do Brasil? Entenda por que marca vai parar de ser vendida no país - QTU Questões do Universo

Häagen-Dazs saiu do Brasil? Entenda por que marca vai parar de ser vendida no país

Fonte: Bandeira da fonte

A marca de sorvetes premium Häagen-Dazs, pertencente à empresa americana General Mills, anunciou que irá deixar de vender os seus produtos no Brasil, após 29 anos operando no país.
Segundo a companhia, a decisão estaria atrelada a uma "reformulação do portfólio."
"A marca Häagen-Dazs não será mais distribuída no Brasil, devido a um plano de reformulação de portfólio da General Mills, anunciado em março de 2026", informou a companhia em nota ao Valor.

No final do primeiro trimestre, a General Mills anunciou a venda das marcas Yoki e Kitano para a 3corações, pelo valor de R$ 800 milhões.
A previsão é que essa venda seja aprovada ainda este ano, após a autorização dos órgãos reguladores.

Na época do anúncio, a empresa afirmou que estava buscando gerar um crescimento rentável de longo prazo e que a transação aumentaria a margem de lucro operacional e reforçaria o foco das operações internacionais em suas “plataformas globais prioritárias, incluindo sorvetes superpremium, comida mexicana, barras de snacks e alimentos para animais de estimação.”
Nos resultados financeiros relativos ao quarto trimestre fiscal, divulgados em 1º de julho, a General Mills atribuiu parcialmente o seu prejuízo operacional de US$ 2,1 bilhões a uma perda de avaliação não caixa, antes de impostos, de US$ 1 bilhão relacionada ao desinvestimento planejado das operações no Brasil.
Ao mesmo tempo, as vendas líquidas orgânicas cresceram 3% na divisão internacional, impulsionadas pelo desempenho no Brasil, Europa, Índia e China.

Mudanças no mercado brasileiro
A General Mills não é a primeira empresa a repensar a sua estratégia para sorvetes no Brasil.
Em fevereiro, a Nestlé anunciou que iria vender as suas marcas de sorvete para a Froneri, joint venture que mantém com a gestora de private equity PAI Partners.

O negócio corresponde à operação em seis mercados e tem um faturamento de aproximadamente 1 bilhão de francos suíços, cerca de R$ 6,7 bilhões.
A integração à Froneri ocorrerá ao longo deste ano e no início do próximo, informou o comando da empresa.
Apesar da decisão, a Nestlé continuará detendo 50% da joint venture.
Quando o acordo da Nestlé foi anunciado, o Citi avaliou que a revisão do negócio de sorvetes poderia contribuir com uma redução de até 0,3 vezes a alavancagem da companhia, medida pela relação entre a dívida líquida e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).

Por outro lado, não deve resolver preocupações estruturais em relação aos lucros em moeda forte — diante do impacto cambial — e à geração de fluxo de caixa livre, que impactam a distribuição de dividendos.