Diego Souza, técnico do Joinville, teve sua incrição no sistema da CBF suspensa pela entidade após a divulgação de que sua licença da ATFA (Associação de Técnicos de Futebol da Argentina) era falsa. O cancelamento veio após a revelação, feita pelo portal Uol, de que o ex-jogador Mancuso foi investigado por vender os certificados a uma série de nomes conhecidos do futebol brasileiro.
Um esquema que levou o torcedor a se perguntar: será que há outros treinadores em atividade na mesma condição? Veja: relembre trajetória de Ramon Diaz, favorito a novo técnico do Corinthians, desde que deixou o clube
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Ao menos no que diz respeito às competições geridas por ela. A entidade afirma que faz a rechecagem da inscrição dos treinadores que atuam em seus campeonatos (Copa do Brasil e Brasileirão masculino e feminino).
O que não era o caso de Diego Souza. O Joinville não disputa nenhuma divisão nacional nesta temporada.
O clube disputa apenas a Copa Santa Catarina, torneio organizado pela federação catarinense. O caso foi encaminhado para a Comissão de Ética da CBF e para a CNRD para apuração de responsabilidades.
Além disso, a entidade lembra que, de acordo com o seu regulamento geral de registros, compete aos clubes assegurar a veracidade dos documentos inseridos no Sistema Nacional de Registros. A responsabilidade está designada nos artigos 12 e 13 do documento:
Art. 12 – Compete aos Clubes:
I – cumprir integralmente as normas da CBF, da respectiva Federação e da FIFA aplicáveis à matéria de registros; II – promover o pedido de filiação e cadastro inicialmente perante sua Federação, observando prazos, critérios e requisitos regulamentares;
III – assegurar a veracidade, autenticidade e atualização permanente das informações e documentos apresentados, responsabilizando-se civil, criminal, administrativa e esportivamente por eventual falsidade ou omissão; Art.
13 – A responsabilidade pela veracidade e correção de todos e quaisquer documentos ou informações fornecidos à CBF e inseridos no SNR é da parte que os fornecer ou inserir. §1º – As partes que forneçam à CBF ou insiram no SNR informações ou documentos falsos, incorretos ou adulterados, ou usem o SNR para fins ilegítimos ou de má-fé, sujeitam-se ao cancelamento pela DRT de registros infundados, sem prejuízo das sanções previstas na legislação e regulamentação aplicável.
§2º – Cada parte é responsável pelas ações e omissões de seus dirigentes, associados, empregados, prestadores de serviço ou prepostos enquanto usuários do SNR. Entenda o caso do golpe de Mancuso
O ex-volante argentino Alejandro Mancuso foi investigado por envolvimento num golpe de venda de diplomas falsos de técnico a um grupo de jogadores. Para adquirir as licenças da ATFA, a renomada escola de treinadores da Argentina, os atletas deveriam fazer um depósito de R$ 100 mil e, com isso, estariam aptos a treinar qualquer clube do mundo sem precisar estudar.
Os quatro tipos de licenças eram enviadas em até dez dias pelo correio: A PRO (internacional), A (profissional) e B e C (base). Entre os jogadores que pagaram pelo serviço estão Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex, Paolo Guerrero, Luiz Gustavo, Diego Lugano, Petkovic e Paulinho.
O argentino dizia a eles ser "diretor internacional da ATFA", tendo um acordo com os dirigentes da entidade para facilitar a emissão dos certificados. "Fechei com o nosso presidente da federação para que todas essas feras que jogaram futebol tenham um jeito para não fazer esse curso online.
Pronto e acabou", diz Mancuso num dos áudios revelados pelo Uol: "São caras que jogaram bola a vida toda, precisa de três anos de curso online?" Apesar dos jogadores admitirem que negociaram com Mancuso, o argentino nega que tenha vendido as licenças e que tinha qualquer ligação com a ATFA.
Segundo ele, apenas dava orientações aos atletas que o procuravam mostrando interesse em adquirir o certificado sem cobrar por isso. O golpe foi alvo de investigação da polícia argentina entre 2024 e 2025, mas o caso acabou arquivado.
A ATFA afirmou que toda a documentação enviada por Mancuso aos jogadores é falsa. Os cursos da entidade têm duração de seis a 13 meses, sem nenhuma opção para certificação imediata.
— Eu imaginei que as licenças poderiam ser falsas quando eu comecei a cobrar pela aula presencial e o Mancuso nunca marcava. Pensei: “Isso aqui tá errado”.
A primeira coisa que eu faço é tirar das minhas redes sociais, porque eu estava exibindo que eu era um associado da ATFA, né? E aí peço o meu dinheiro de volta. Diferente de muitos, eu consegui essa façanha aí — disse Felipe Melo ao Uol.
O Globo