Há 66 anos, cantor de ópera morria no palco em Nova York segundos após cantar sobre a própria morte; entenda

 

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Sessenta e seis anos depois, a noite de 4 de março de 1960 continua sendo lembrada como um dos episódios mais chocantes da história da ópera. Naquela apresentação lotada no Metropolitan Opera House, em Nova York, o barítono americano Leonard Warren caiu morto no palco enquanto interpretava La forza del destino, de Giuseppe Verdi.

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A cena aconteceu diante de milhares de espectadores. No terceiro ato da ópera, Warren cantou a frase “Morrer, uma coisa terrível” antes de iniciar a ária Urna fatale. Após os aplausos do público, ele permaneceu imóvel por alguns segundos, virou-se para o lado do palco e caiu abruptamente. A orquestra foi interrompida pelo maestro Thomas Schippers, enquanto colegas e médicos tentavam prestar socorro.

Segundo testemunhas, o barítono Roald Reitan aproximou-se do cantor, que ainda conseguiu pronunciar uma única palavra — “Socorro!” — antes de perder a consciência. A tentativa de reanimação no palco não teve sucesso.

Uma noite que marcou a história da ópera

A morte de Warren foi atribuída a uma hemorragia cerebral súbita, de acordo com relatos da época. O crítico Raymond A. Ericson, que estava na plateia, descreveu o episódio como um dos momentos mais dramáticos já vividos no Metropolitan. Mais de três mil pessoas assistiram à tragédia.

O episódio também reforçou a fama de azar que já cercava La forza del destino. Desde a estreia conturbada da obra, em 1862, artistas e companhias comentavam episódios de infortúnio ligados à ópera. Décadas depois, o tenor Luciano Pavarotti chegou a cancelar uma produção da obra no próprio Met, alimentando a superstição.

Filho de imigrantes russos e nascido no Bronx, Warren — cujo sobrenome original era Warrenoff — construiu carreira sólida no teatro nova-iorquino após estudar na Juilliard School. Tornou-se um dos grandes barítonos do século XX, especialmente em papéis de Verdi, como Rigoletto, Il trovatore e Simon Boccanegra.

Aos 48 anos, estava no auge da carreira quando morreu diante da plateia. O episódio virou manchete internacional e marcou de forma permanente a história do Metropolitan Opera House, um dos palcos mais prestigiados do mundo.

Décadas depois, a lembrança daquela noite ainda circula entre músicos e críticos. Cada nova montagem da ópera carrega, de alguma forma, o eco do momento em que o público ouviu a palavra “morrer” e, segundos depois, o teatro mergulhou em silêncio absoluto.