Há 25 anos, a XP transforma a relação dos brasileiros com seus investimentos

Há 25 anos, a XP transforma a relação dos brasileiros com seus investimentos

 

Fonte: Bandeira



A partir de uma trajetória que se integra à própria modernização do mercado de capitais brasileiro, a XP chega aos seus 25 anos como um dos mais abrangentes ecossistemas de investimentos e serviços financeiros do país. Fundada em 2001, por Guilherme Benchimol, em um escritório de 25 metros quadrados em Porto Alegre (RS), a companhia hoje abriga uma rede formada por mais de 8 mil colaboradores e 18 mil assessores. Com uma base de 4,8 milhões de clientes, o volume de ativos sob custódia, gestão e administração atingiu a marca de R$ 2,1 trilhões no ano passado, consolidando um total de R$ 5,2 bilhões de lucro líquido durante o período.

Os números são resultado de uma história que combina espírito empreendedor, pioneirismo, inovação e compromisso com a democratização da indústria de investimentos. Tendo como ponto de partida a criação de cursos para investidores, a primeira grande quebra de paradigma começou a ser desenhada com a aquisição da corretora Americainvest. Realizada em 2007, a operação abriu caminho para as atividades de corretagem da empresa, inaugurando uma nova era nas relações entre investidores e instituições financeiras.

Inspirada pelo modelo da gestora americana Charles Schwab, a XP trouxe ao país uma proposta até então inédita de plataforma aberta de investimentos, com produtos de múltiplas instituições para diversos perfis de clientes. “Nesse período, as pessoas eram limitadas às propostas dos grandes bancos, que vendiam apenas suas próprias marcas a custos elevados. Ao apostarmos em um modelo mais competitivo, conseguimos ganhar escala para promover a nossa missão de democratizar o acesso aos investimentos no Brasil”, explica Benchimol.

Com a base inicial consolidada, os anos seguintes foram marcados pelo ritmo de expansão e pela diversificação do portfólio de produtos e serviços. Com um aporte de R$ 450 milhões realizado pela General Atlantic, em 2012, a XP deu início a uma série de aquisições que incluíram a incorporação da Clear e da Rico, acelerando três movimentos cruciais para a transformação do cenário de investimentos no país: a digitalização das jornadas, a facilitação da entrada de novos investidores no mercado de capitais e a eliminação das taxas de corretagem.

Orientada por esses pilares de democratização, qualidade de serviços e centralidade no cliente, a companhia realizou o IPO na Nasdaq no final de 2019, atingindo um valuation inicial de US$ 14,9 bilhões. A abertura do capital deu origem à XP Inc., holding que hoje reúne todas as frentes de atuação do grupo, incluindo o Banco de Atacado, novas plataformas educacionais e serviços de varejo.

Movimentação constante

Ao mesmo tempo que revelou caminhos disruptivos para o mercado, a velocidade de escala trouxe novos desafios de gestão e governança para a XP, dando origem a uma fase marcada pela reestruturação da arquitetura organizacional da companhia. “Nossa cultura permaneceu guiada por quatro grandes valores inegociáveis: foco no cliente, sonho grande, mente aberta e espírito empreendedor. Mas, assim como acontece em qualquer empresa de alto crescimento, percebemos que precisávamos trazer talentos externos e preparar nossas lideranças para incorporar esses pilares a um contexto de mudanças cada vez mais ágeis e constantes”, afirma Benchimol.

O ciclo de amadurecimento contemplou a qualificação da rede de assessores de investimento. Além da intensificação das frentes de capacitação, foram adotadas iniciativas como modelos de remuneração fixa, fortalecimento de mecanismos de controle e sistemas voltados ao aumento da assertividade das recomendações feitas para clientes. “O compromisso com a qualidade passou a ser um pré-requisito para atingir objetivos de negócio, não apenas um indicador paralelo. É preciso colocar o cliente no centro o tempo inteiro. O crescimento e os resultados são consequência da confiança que as pessoas depositam na empresa”, diz.

Na esteira das oportunidades reveladas pela ascensão da inteligência artificial, o potencial da tecnologia vem sendo aplicado em soluções que buscam reforçar a segurança, melhorar a qualidade da alocação dos ativos e aprofundar o relacionamento com os clientes. Além do aumento de eficiência e produtividade, o foco está na criação de soluções que apoiem as atividades dos assessores de investimentos, viabilizando a criação de portfólios cada vez mais dinâmicos, precisos e inteligentes.

Depois de 25 anos transformando a relação dos brasileiros com os investimentos, é nesse caminho que Benchimol começa a pavimentar a construção de seu próximo sonho: transformar a XP na maior e mais completa empresa de investimentos do país até 2033.

“Assim como em toda a nossa história, não existe bala de prata para atingir esse objetivo. O que existe é a resiliência, a disciplina e a obsessão de trazer a melhor solução para o cliente”, afirma. “O livro da XP é escrito a lápis: queremos que as pessoas nos ajudem a questionar os capítulos anteriores para criar um ecossistema no qual o dinheiro sirva à liberdade das pessoas e ao crescimento das empresas. Se a gente chegar lá, acredito que conseguiremos melhorar o país”, conclui.

Linha do tempo: 25 anos de história da XP.

Arte/Glab

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“Queremos conquistar a liderança do mercado de investimentos até 2033”

Em entrevista, Thiago Maffra, CEO da XP Inc., revela as estratégias e os objetivos que vêm impulsionando a terceira onda de transformação da companhia

Maffra: ”Diria que estamos na última etapa da jornada de implementação da terceira onda. Escalamos muito em 2025 e seguiremos nesse mesmo ritmo durante os próximos meses”

Divulgação

A XP se prepara para acelerar o seu próximo ciclo de crescimento. Orientado pela visão 360° da experiência do cliente, o plano tem como foco a personalização das jornadas por meio da qualificação do atendimento e da incorporação de novos modelos de inovação. É a partir dessa combinação entre capital humano e tecnologia que a companhia pretende conquistar o topo do setor até 2033, segundo Thiago Maffra. Confira a entrevista:

Quais foram os pilares que sustentaram a trajetória de 25 anos da XP e como essa estratégia foi calibrada para manter a proposta de valor relevante ao longo do tempo?

THIAGO MAFFRA — A XP passou por três fases muito distintas, que mostram a capacidade de adaptação da companhia ao longo dos anos. Na primeira delas, a empresa operava essencialmente como uma corretora de ações. Na etapa seguinte, revolucionamos o mercado ao trazer o conceito de plataforma aberta de investimentos. Agora estamos em nossa terceira onda de transformação, que pretende consolidar a XP como um ecossistema completo de serviços financeiros. A estrutura atual é orientada por três verticais: investimentos para pessoas físicas, produtos de cross-sell [como cartões, seguros, câmbio e conta internacional] e o Banco de Atacado, que hoje se tornou um dos três principais do Brasil.

Quais metas orientam o roadmap dessa terceira onda de transformação? Quais são as projeções e expectativas?

O objetivo central é ajudar nossos clientes a transformar suas vidas financeiras de maneira mais holística. No primeiro momento, os assessores de investimento atuavam basicamente como brokers de ações. Depois, passaram a ajudar a montar carteiras. O próximo passo é convertê-los em CFOs pessoais dos clientes, abordando questões como sucessão, gestão tributária e tomada de crédito. Outro ponto é que somos a única casa agnóstica em relação aos modelos de cobrança. O assessor da XP consegue operar por meio de modelos transacionais, fees fixos ou consultoria. Os clientes podem, inclusive, contratar o serviço de planejamento financeiro e consolidação de patrimônio tendo os ativos em outras instituições. Assim como democratizamos o acesso aos investimentos, queremos democratizar os serviços de planejamento financeiro de qualidade.

Como essas mudanças vêm sendo conduzidas internamente?

Há três anos, criamos uma estrutura de CIO responsável pelo asset allocation de todos os segmentos. A partir daí, reorganizamos as diretorias em torno de produtos de investimento, cross-sell e canais, sendo este último o responsável por definir a proposta de valor, o pricing e o modelo de atendimento 360°. Sob a perspectiva dos assessores, implementamos um sistema de incentivo orientado por metas de enquadramento de alocação, com revisões de planejamento financeiro. No quadro geral, diria que estamos na última etapa da jornada de implementação da terceira onda. Escalamos muito em 2025 e seguiremos nesse mesmo ritmo durante os próximos meses. O full deploy desse novo modelo de serviço deve ocorrer no ano que vem.

Recentemente, a XP ampliou suas operações em Miami e realizou a primeira edição da XP Global Conference na cidade. Qual é o peso da internacionalização na estratégia atual da empresa?

A recomendação do nosso CIO é uma alocação de aproximadamente 15% em ativos offshore. Esse número mostra a relevância que o canal internacional tem para o nosso negócio. Sob o ponto de vista operacional, queremos facilitar o acesso ao mercado global para os brasileiros. A abertura de uma conta offshore por um cliente já cadastrado na XP leva apenas três cliques, literalmente. O câmbio funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive aos sábados e domingos. Instalamos um novo escritório em Brickell [bairro de Miami] e temos enviado equipes de diferentes áreas de produto e canais para fortalecer a operação. O mercado internacional é muito importante para o futuro da empresa.

Como você avalia o papel da inteligência artificial nessa próxima onda de transformação?

Sempre falamos em hiperpersonalização, em segmentar os clientes por comportamentos e contextos, e não apenas pelo patrimônio. Mas, na prática, isso era extremamente complexo. Com a IA, nosso foco está na potencialização da experiência de atendimento e na escalabilidade das operações. Aproximadamente 40% de todo código que desenvolvemos já é gerado por IA. A XP possui uma das arquiteturas de TI mais modernas do mercado, o que facilita a integração de dados com as novas ferramentas e nos permite testar e escalar muito mais rapidamente.

Qual é o próximo passo? Quando a quarta onda deverá começar a se formar?

No momento, estamos focados na execução da terceira onda. A nossa grande ambição é conquistar a liderança do mercado de investimentos até 2033. Para isso, precisamos ganhar algo em torno de 100 basis points de market share por ano. Trata-se de uma meta ousada, mas bastante factível. Tenho convicção de que esse modelo que estamos desenvolvendo — o do assessor como CFO do cliente apoiado por agentes de IA — vai se tornar o padrão da indústria. E a XP vai continuar na dianteira dessa transformação.