Guimarães reconhece que desistência de candidatura no Ceará foi 'preço' para virar ministro de Lula
O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que sua ida para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve um “preço”, ou seja, sua desistência de candidatar-se ao Senado pelo Ceará.
— Isso teve um preço, tem um significado que eu não sou mais candidato. A nomeação deve estar saindo hoje e assume meu suplente. Eu não serei mais candidato a senador, como era o meu propósito lá no Ceará — afirmou.
Segundo ele, o convite foi feito diretamente por Lula, que pediu sua ajuda na pasta que faz a interlocução entre o Planalto e o Congresso. A “missão”, de acordo com o deputado, terá dois focos principais: melhorar a articulação com o Congresso Nacional e atuar na campanha de reeleição do petista.
Guimarães disse que aceitou o convite após conversar com aliados, incluindo seu grupo político e lideranças do estado. Ele ressaltou que a decisão foi tomada com base no compromisso com o projeto político do governo.
Ao comentar o futuro político, evitou fazer projeções sobre cenários após as eleições e possíveis desdobramentos pessoais. Questionado sobre o que faria caso a reeleição do presidente não se concretize, Guimarães minimizou.
— Se ele (Lula) não for reeleito, é vida que segue. O meu propósito é ajudar daqui até dezembro e principalmente ajudar na reeleição dele — concluiu.
A escolha de Guimarães para a SRI foi anunciada no último sábado. A pasta estava sob comando interino de Marcelo Costa, antigo secretário-executivo, desde a semana passada, quando a ex-ministra Gleisi Hoffmann saiu do cargo para concorrer ao Senado pelo Paraná.
Sua posse no cargo está marcada para esta terça-feira, ao meio dia, e segundo Guimarães, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já confirmaram presença.
Ao GLOBO, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), fez elogios a escolha do líder do governo na Casa dizendo que Lula foi “feliz” em sua escolha”.
– O Zé é experiente, ele vai poder ajudar o governo com essa experiência. Ele é um cara moderado, tem a memória dessas tratativas todas porque foi líder do governo o mandato todo praticamente. Conhece a Casa, tem boa relação com os líderes, vejo como muito positiva a indicação – disse Hugo Motta.
