Guiana critica broche de presidente venezuelana com Essequibo anexado ao seu território

 

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O presidente da Guiana, Irfaan Ali, reclamou nesta terça-feira do broche com um mapa da Venezuela usado por sua homóloga, Delcy Rodríguez, durante visitas oficiais a dois países caribenhos que incluem o território disputado de Essequibo. A área de 160 mil km² está no centro de uma disputa centenária entre Caracas e Georgetown, que foi reacendida em 2015, quando a empresa americana ExxonMobil descobriu vastas reservas de petróleo na região.

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Rodríguez assumiu o cargo de presidente interina após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos EUA em janeiro. Como vice-presidente, ela era responsável pelo caso Essequibo perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ). Durante suas duas visitas oficiais às ilhas de Granada e Barbados, Rodríguez usou um broche de ouro com o contorno de um mapa da Venezuela.

Ali considerou "profundamente lamentável" que essas reuniões apresentassem a "exibição proeminente de símbolos" que afirmam a reivindicação territorial da Venezuela sobre a área disputada. Em uma carta enviada à Comunidade do Caribe (CARICOM), o líder guianense destacou que a Venezuela não pode tentar normalizar, por meio de símbolos, mapas, legislação, nomeações ou demonstrações oficiais, uma questão que permanece sem solução.

Presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez usou broche representando o território de Essequibo anexado ao seu país durante visita a Granada

Daniela Millan/ Presidência da Venezuela/AFP

Georgetown está pedindo à mais alta corte das Nações Unidas que ratifique as fronteiras estabelecidas em uma sentença arbitral de 1899, que a Venezuela não reconhece. Caracas está recorrendo ao Acordo de Genebra, que assinou em 1966, antes da independência da Guiana do Reino Unido. Esse acordo anulou a decisão de 1899 e lançou as bases para uma solução negociada.

"Usar as plataformas da CARICOM para projetar ou promover uma reivindicação territorial contra um Estado-membro corre o risco de ser interpretado como aquiescência ou tolerância", escreveu Ali.

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O broche que "o obceca nada mais é do que a expressão de uma verdade histórica, fortemente validada desde o Acordo de Genebra de 1966, muito antes deste espetáculo midiático", escreveu o Ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, no Telegram.

"Vocês sabem que o Presidente da Guiana está causando um escândalo porque eu sempre uso o broche com o mapa da Venezuela, o único mapa que conheço. Agora eles se incomodam até com a minha forma de me vestir", respondeu Rodríguez mais tarde durante um evento político em Carabobo, norte da Venezuela. "Estaremos na Corte Internacional de Justiça nos próximos dias para reafirmar nossa posição histórica", acrescentou.

A CARICOM respondeu em um comunicado que eventos oficiais em países membros "não devem ser usados, direta ou indiretamente, para promover ou dar a impressão de legitimar reivindicações". Rodríguez governa sob pressão dos Estados Unidos, aliado da Guiana. Washington garante que defenderá Georgetown em caso de conflito com a Venezuela. O presidente defende uma "negociação de boa fé" para resolver a disputa territorial.