Guerra travada por facções aterroriza Niterói: Tráfico usa forte poder bélico na disputa por territórios em favelas do Fonseca

 

Fonte:


Uma disputa por território travada entre o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) tem alterado a rotina em Niterói, que nos últimos anos vinha reduzindo os índices de criminalidade, mantidos bem abaixo dos registrados na maioria dos municípios da Região Metropolitana do Rio. As consequências aparecem num recorde de apreensões de fuzis. De janeiro deste ano até o último dia 25, somente a Polícia Militar já havia apreendido 20 na cidade — um a cada 4,3 dias, em média.

Os números alcançados por policiais do 12º BPM (Niterói) levaram a unidade ao segundo lugar no ranking de apreensões de fuzis, superando até o Batalhão de Operações Especiais (Bope), que retirou das mãos dos bandidos dez armas desse tipo nos mesmos 84 dias. A batalha que tem como reflexo o aumento dos confrontos e da circulação de armas se concentra em cinco comunidades no bairro do Fonseca, que ganharam até um apelido nas redes sociais: “Complexo do Fonsequistão”.

Desde novembro passado, os mais de 46 mil moradores do bairro se tornaram testemunhas involuntárias da escalada da violência, sobretudo, nas favelas Coronel Leôncio, Santo Cristo, Pimba, Palmeira e Coreia. A região, antes dominada pelo CV, virou alvo de invasões do TCP. Não por acaso, a maior parte das apreensões de fuzis em Niterói ocorreu nessas comunidades, bem próximas de uma delegacia, de uma companhia destacada da Polícia Militar, de um presídio da PM e de vias movimentadas, como a Alameda São Boaventura, que leva à Ponte Rio-Niterói, e a RJ-104.

Na última quinta-feira, a Polícia Militar fez mais uma incursão na região e apreendeu quatro fuzis. Segundo o serviço de inteligência do 12ª BPM, a ação foi desencadeada após criminosos dispararem a esmo para demonstrar o poderio bélico nas cinco favelas e nas comunidades Vila Ipiranga e Nova Brasília, também conflagradas na disputa por território das duas facções.

Confrontos recentes aconteceram ali nos últimos dias 24 e 28. Na primeira data, durante três minutos — entre 22h59 e 23h02 —, a ferramenta ShotSpotter, equipamento da prefeitura capaz de registrar eventos relacionados a tiros, flagrou uma rajada de quatro disparos, uma segunda com sete, uma terceira com 25 e um último disparo isolado. Ou seja, 37 estampidos.

No dia 22, outra troca de tiros já havia assustado os moradores. Na ocasião, uma pessoa morreu. Em vídeo postado por traficantes do CV, bandidos exibiram um fuzil que estaria com a vítima, apontada por eles como integrante do TCP.