Guerra no Oriente Médio ameaça participação na Copa do Mundo e causa impactos na Fórmula 1

 

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Faltam 100 dias para o início da Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá. Após os ataques norte-americanos contra o Irã, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, a edição deste ano pode ser a primeira nos 96 anos da competição em que um país anfitrião está efetivamente em guerra contra um convidado.

A Fifa disse que está monitorando o conflito. Segundo o secretário-geral da Federação, o objetivo é ter uma Copa do Mundo segura e com todos os classificados.

Já o presidente da Federação Iraniana de Futebol classificou a participação como improvável, mas não confirmou a retirada do país da competição. O analista de política internacional Uriã Fancelli comentou sobre a importância da Copa para o Irã.

"É importante discutir o tema não apenas para valorizar o trabalho dos atletas, mas porque ele tem um significado relevante para os regimes envolvidos. Grandes competições esportivas também funcionam como instrumento de projeção internacional e propaganda dos países. É o caso da Rússia, suspensa das competições desde a invasão da Ucrânia, em 2022. Historicamente, esse tipo de exclusão representa um incômodo significativo para o país. Portanto, trata-se de um fator geopolítico de grande importância", avalia.

Em caso de desistência ou exclusão, a Fifa pode substituir uma equipe por outra do mesmo órgão continental, no caso do Irã, a AFC, federação asiática de futebol. Nesta hipótese, o Iraque pode herdar a posição na Copa enquanto os Emirados Árabes ficariam com a vaga iraquiana na repescagem.

Como reflexo do conflito, as ligas do Irã e do Catar estão suspensas e a Liga dos Campeões da Ásia, que tem um time iraniano - o Tractor - classificado para as oitavas de final, teve jogos adiados.

Em dezembro do ano passado, Donald Trump foi homenageado pela Fifa e recebeu das mãos do presidente da entidade, Gianni Infantino, o Prêmio da Paz.

Impactos na Fórmula 1

E não é só o futebol que sofre impactos com o conflito no Oriente Médio. A Federação Internacional de Automobilismo soltou um comunicado, assegurando que monitora os desdobramentos da guerra e que vai analisar a situação da Fórmula 1.

O campeonato começa a ser disputado neste final de semana, com o GP da Austrália, e equipes já precisaram alterar rotas para chegar à Oceania evitando as cidades de Doha e Dubai, que costumam funcionar como pontos de conexão.

Além da parte organizacional, há tensão em torno das provas dos dias 12 e 19 de abril, que vão ser disputadas no Bahrein e na Arábia Saudita, respectivamente.