Guerra no Irã já provoca engarrafamento no Estreito de Ormuz, com 150 petroleiros parados
A guerra iniciada no sábado, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, já está causando um engarrafamento de embarcações no Estreito de Ormuz, principal via de escoamento de petróleo do Oriente Médio. Pelo menos 150 petroleiros, com navios de petróleo bruto e de gás natural liquefeito (GNL), estão parados em mar aberto, enquanto outras dezenas esperam na outra extremidade do estreito, segundo estimativas da agência de notícias Reuters, com base em dados de navegação da plataforma MarineTraffic.
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Dessas embarcações, muitas estariam paradas nas zonas econômicas exclusivas (ZEE) de países do Golfo, como Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Essas áreas se estendem além do limite territorial de 12 milhas náuticas (aproximadamente 22,22 km), podendo chegar a até 24 milhas (cerca de 44,45 km).
Cerca de 20% do consumo global de petróleo, incluindo o produzido por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Irã, passam por Ormuz, além dos grandes volumes de GNL do Catar. Com o congestionamento do estreito, o barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional, chegou a subir 13%, mas na manhã desta segunda já sobe cerca de 7%.
A Reuters informou ainda que pelo menos outros 100 petroleiros estavam ancorados fora do estreito, ao longo das costas dos Emirados Árabes Unidos e de Omã e em pontos de fundeio — áreas oficiais de ancoragem para navios —, assim como dezenas de navios de carga.
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Após os ataques, diversos petroleiros e grandes companhias estariam suspendendo embarques de petróleo bruto, combustíveis e GNL pelo Estreito de Ormuz, além de Teerã ter afirmado que fechou a navegação, disseram fontes do setor à agência de notícias, no sábado.
No entanto, o Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos Estados Unidos, afirmou à Reuters que "nenhuma suspensão formal (do tráfego pelo estreito) foi comunicada internacionalmente por autoridades marítimas reconhecidas".
