Guerra na Ucrânia: número de brasileiros mortos no conflito contra a Rússia mais que dobra em seis meses, diz Itamaraty

Guerra na Ucrânia: número de brasileiros mortos no conflito contra a Rússia mais que dobra em seis meses, diz Itamaraty

Fonte: Bandeira



O número de brasileiros desaparecidos na guerra da Ucrânia mais que dobrou em seis meses, segundo dados atualizados informados pelo Ministério das Relações Exteriores ao GLOBO. O novo balanço aponta 86 nacionais desaparecidos, ante 41 registrados anteriormente, além de 33 mortes confirmadas, frente às 16 contabilizadas no levantamento anterior. A atualização ocorre em meio ao caso do paraense Herik Ferreira Soares, de 23 anos, capturado por forças militares russas após, segundo seu próprio relato, ter sido enganado por uma promessa de trabalho.

Vídeo: Brasileiro é capturado por forças russas na Ucrânia e relata ter sido enganado por promessa de trabalho; 'Mãe, me perdoa por não ter escutado’

Itamaraty confirma captura de brasileiro de 23 anos por forças russas na Ucrânia; veja vídeo

Herik, natural de Castanhal, no Pará, teve o caso revelado após a divulgação de um vídeo em que aparece chorando e relata que viajou para a Ucrânia acreditando que trabalharia em uma função de apoio, distante das áreas de combate. Segundo ele, no entanto, acabou sendo enviado para a linha de frente, em desacordo com o que havia sido prometido.

— Eles mentiram para mim e me enviaram para a linha de frente, para um confronto intenso. Não era isso que tinham prometido. Meu serviço não era de combatente. — afirma.

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Ao GLOBO, o Itamaraty confirmou que acompanha o caso e informou que, por meio da Embaixada do Brasil em Moscou, mantém contato com a família do brasileiro e presta assistência consular. A representação diplomática também está em contato com as autoridades russas em busca de informações adicionais sobre sua situação.

No vídeo, Herik relata arrependimento pela decisão de participar do conflito e afirma que a experiência o fez mudar de opinião sobre o recrutamento de estrangeiros. Segundo ele, latino-americanos, incluindo brasileiros, colombianos, peruanos e argentinos, acabam sendo utilizados como força de combate e tratados como “descartáveis” na guerra.

Em um dos trechos mais emocionantes da gravação, o paraense envia uma mensagem à mãe e pede perdão por não ter seguido os conselhos da família. Ele também faz um alerta para que outros brasileiros não aceitem propostas semelhantes.

— Me perdoa por não ter escutado o que a senhora disse e por ter voltado para esse inferno. Pense bem antes de vir para cá e perder algo muito maior, que é a sua família. Não compensa vir atrás de dinheiro sujo, um dinheiro que não vale a pena. Não deixe a segurança da sua família para participar de uma guerra que não é sua. — diz.

O caso reforça os alertas emitidos pelo governo brasileiro sobre o recrutamento de cidadãos para atuar em conflitos armados no exterior. O Ministério das Relações Exteriores recomenda que brasileiros recusem ofertas de trabalho ou convites para integrar forças estrangeiras e destaca que pessoas alistadas podem enfrentar dificuldades para deixar os combates. Segundo a pasta, a assistência consular nesses casos pode ser limitada pelas obrigações assumidas no momento do recrutamento.

Em nota, o Itamaraty afirmou que a atuação consular em situações envolvendo brasileiros engajados em forças armadas de terceiros países possui especificidades inerentes às circunstâncias do conflito e às obrigações contraídas no ato do alistamento. Por razões de privacidade, o ministério não divulga detalhes sobre a assistência prestada aos cidadãos atendidos.