Guerra eleva a atratividade de combustĂveis alternativos
Em meio Ă disparada do petrĂłleo e Ă incerteza sobre a guerra no Oriente MĂ©dio, empresas do setor de transportes tĂŞm visto um incentivo nĂŁo apenas ambiental, mas tambĂ©m econĂ´mico para acelerar a busca por soluções alternativas de combustĂveis, como biodiesel, biometano e veĂculos elĂ©tricos. O desafio, segundo executivos de companhias, Ă© o investimento inicial necessário para fazer a transição.
— NĂŁo vamos substituir o diesel, mas temos que começar a buscar soluções. Já tĂnhamos identificado essa demanda dos clientes, principalmente empresas com metas de descarbonização. Outro ponto Ă© tambĂ©m reduzir a dependĂŞncia de combustĂveis vulneráveis a fatores geopolĂticos, como o diesel — disse Marcos Azevedo, diretor da Bravo LogĂstica, durante painel na Hannover Messe 2026, a maior feira industrial do mundo, que este ano tem o Brasil como paĂs-parceiro.
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A transportadora vĂŞ biometano como alternativa ao diesel tradicional, e seus modelos a gás já sĂŁo 2% da frota de cerca de mil veĂculos. Outras soluções sĂŁo testadas , como biodiesel e aditivos catalisadores.
— A gente tem experimentado um pouco de tudo, mas aquilo que a gente encontrou como uma solução realmente escalável é o biometano — diz.
Custo até 30% menor
Desde o inĂcio da guerra, o custo do biometano ficou de 25% a 30% menor que o do diesel, segundo Carlos Ferreira, diretor da Jomed Transportes. A empresa tem ampliado sua frota de caminhões a gás e investido em postos de abastecimento de biometano. AlĂ©m da unidade de abastecimento já em operação em SĂŁo Paulo, dois novos postos atreladas ao fornecimento de biometano de aterros sanitários serĂŁo abertos este ano, um em Volta Redonda, no estado do Rio, e outro no EspĂrito Santo.
— Cada vez mais as transportadoras precisam sair da dependĂŞncia do combustĂvel fĂłssil — diz Ferreira, acrescentado que o plano Ă© que 70% dos 500 caminhões da Jomed sejam movidos a gás em 2030.
Os veĂculos elĂ©tricos tambĂ©m já mostram custo menor que o diesel. ApĂłs cinco anos de operação-piloto, a transportadora Braspress constatou economia de 78% em relação ao diesel comum, segundo Giuseppe Lumare JĂşnior, diretor comercial da empresa.
— O custo de manutenção despencou. Portanto, nós vamos escalar — disse.
A companhia, com uma frota de mais de 3 mil veĂculos, iniciou os testes com 30 elĂ©tricos e planeja comprar outros 60 atĂ© o ano que vem, com foco em entregas dentro de centros urbanos, nĂŁo em longas distâncias.
Apesar do avanço, há desafios para a expansĂŁo dos elĂ©tricos de carga, como a construção de infraestrutura de abastecimento em um paĂs extenso como o Brasil, para viabilizar o carregamento ao longo das rodovias, e os investimentos elevados para aquisição de veĂculos.
— Hoje o preço é de 40% a 50% mais caro do que os movidos a diesel. Além disso, há uma demora de um ano para a entrega — afirmou Lumare Júnior.
No caso do biometano, apesar de os caminhões também poderem ser abastecidos com GNV (gás natural veicular) — mais comum — a infraestrutura de abastecimento também é um desafio.
— É preciso criar corredores verdes para que o transporte com biometano possa avançar em rotas longas — disse Azevedo, da Bravo LogĂstica, que cobra mais incentivos pĂşblicos ao modelo.
A Europa tem feito restrições a biocombustĂveis brasileiros Ă base de soja e palma, por exemplo, alegando que o uso da terra para este fim compromete a produção de alimentos, o que foi rechaçado esta semana pelo presidente Lula em sua visita Ă feira de HanĂ´ver.
Camilo Adas, da produtora brasileira de biodiesel Be8, na Hannover Messe 2026
Divulgação
Camilo Adas, diretor de transição energĂ©tica e relações institucionais da Be8, um dos principais fabricantes de biodiesel do Brasil, avalia que as restrições poderĂŁo inviabilizar a expansĂŁo de mercados de biocombustĂveis, “que dependem de volumes altos para se tornarem competitivos em termos de preços”.
BiocombustĂvel na aviação
Adas citou o mercado de Sustainable Aviation Fuel (SAF , na sigla em inglĂŞs). O CombustĂvel Sustentável de Aviação, Ă© um biocombustĂvel feito a partir de Ăłleos vegetais ou resĂduos orgânicos, que substitui o querosene fĂłssil e reduz emissões em atĂ© 80%:
— A norma europeia tem restrições especĂficas para matĂ©rias-primas especĂficas, e o biocombustĂvel de soja nĂŁo pode ser usado. A aviação passa muito pela Europa. NĂŁo adianta a gente fazer SAF sĂł para o Brasil, pois os volumes sĂŁo baixos. Em toda produção industrial, e principalmente a de biocombustĂvel, vocĂŞ sĂł viabiliza mercado com alto volume, porque a margem Ă© muito pequena. Sem o mercado europeu, nĂŁo há alto volume.
(*Do Valor)
Os repĂłrteres viajaram a convite da Apex Brasil
