Guerra do Iraque, FBI e Swat: Agente de imigração que matou mulher em Minneapolis tem histórico militar de mais de 20 anos

 

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O agente federal da Agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês), que atirou e matou uma mulher de 37 anos em Minneapolis durante uma operação na última quarta-feira, é um veterano da Guerra do Iraque e serviu por quase 20 anos na Patrulha da Fronteira. As informações foram reveladas pela agência de notícias Associated Press (AP). A morte provocou protestos nas cidades de Mineápolis e Saint Paul, em Minnesota, onde os manifestantes também gritaram contra a presença do ICE na região.

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Jonathan Ross, que atirou em Renee Good, trabalha como agente do ICE desde 2015. Ele é designado para operações de captura de fugitivos, buscando prender "alvos de alto valor", conforme testemunhou em depoimento judicial no mês passado. O agente também foi líder da Força-Tarefa Conjunta de Combate ao Terrorismo do FBI, instrutor de armas de fogo e membro da Swat, unidade de elite da polícia, treinadas e equipadas para situações de alto risco.

— Eu defino os alvos, crio um dossiê, realizo a vigilância e, em seguida, elaboro um plano para executar o mandado de prisão — contou Ross, na ocasião, segundo a AP.

Renee Nicole Good

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No mesmo depoimento, Ross afirmou ter servido no Iraque entre 2004 e 2005 com a Guarda Nacional de Indiana, como metralhador em um caminhão. Ele, ainda de acordo com a AP, retornou do Iraque em 2005, cursou a faculdade e ingressou na Patrulha da Fronteira em 2007, perto de El Paso, no Texas. Trabalhou lá até 2015, atuando como agente de inteligência de campo, coletando e analisando informações sobre cartéis, tráfico de drogas e contrabando de pessoas.

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Após a morte de Renee, protestos começaram a ser organizados por Minnesota, motivados pelo governador democrata Tim Walz, que considerou um "dever patriótico" manifestar-se contra o assassinato.

— O desejo de sair às ruas, protestar e denunciar a esta administração o quão errada ela está é um dever patriótico neste momento, mas precisa ser feito com segurança — disse Walz na quarta-feira.

Alguns manifestantes exigem que Ross seja indiciado criminalmente, e as autoridades de Minnesota também querem investigar o caso. Pelo menos um manifestante foi preso em frente a um edifício federal na cidade de Saint Paul, na quinta-feira, durante um protesto contra a presença do ICE no estado — uma estratégia que opositores democratas afirmam estar sendo usada pelo presidente americano, Donald Trump, sob pretexto de coibir a imigração ilegal, para interferir e pressionar estados governados por opositores.

Apoio do governo Trump

A Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e outros funcionários do governo Trump defenderam o agente como um profissional experiente da lei que seguiu seu treinamento e atirou na mulher depois de acreditar que ela estava tentando atropelá-lo. O FBI está investigando se o tiro foi, de fato, em legítima defesa.

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O vice-presidente americano, JD Vance, elogiou o serviço prestado pelo agente ao país na quinta-feira, sem mencionar seu nome, dizendo que o oficial do ICE "merece gratidão".

— Este é um cara que realmente fez um trabalho muito, muito importante para os Estados Unidos da América — disse Vance. — Ele foi agredido, atacado e ficou ferido por causa disso.

A porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, disse que Ross "agiu de acordo com o treinamento recebido".

— O agente é um veterano do ICE que serviu ao seu país durante toda a sua vida — afirmou a porta-voz.

Ross ficou ferido em outra operação

Em 17 de junho do ano passado, Ross era o líder de uma equipe de agentes que foi prender um homem que estava ilegalmente nos EUA, no subúrbio de Bloomington, em Minneapolis. Os agentes se reuniram em frente à casa do homem, Roberto Munoz-Guatemala, que saiu de carro. Agentes do FBI acionaram as sirenes, ordenando que ele encostasse, mas ele não obedeceu. Ross, então, posicionou seu veículo diagonalmente na frente de Muñoz-Guatemala para forçá-lo a parar.

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Ross ordenou ao motorista que baixasse o vidro completamente, o que não foi feito. Ele usou um dispositivo conhecido como "quebra-vidros com mola" para quebrar o vidro traseiro do lado do motorista e, em seguida, alcançou o interior do carro para destrancar a porta do motorista. Munoz-Guatemala, então, arrancou com o carro enquanto o braço de Ross estava preso, arrastando o agente pela rua. Ross disparou sua arma de choque, atingindo Munoz-Guatemala com os dardos na cabeça, rosto e ombro.

Segundo a promotoria, Muñoz-Guatemala não foi incapacitado pela arma de eletrochoque e continuou dirigindo, levando Ross a percorrer a distância de um campo de futebol em 12 segundos. O agente, que ficou gravemente ferido, acabou levando dezenas de pontos em um hospital. Os promotores disseram que ele havia sofrido “múltiplos cortes profundos e escoriações no joelho, cotovelo e rosto”.

— Foi uma dor bastante excruciante — testemunhou Ross.

Muñoz-Guatemala, posteriormente, foi preso e acusado de agressão a um agente federal com arma perigosa ou letal. No mês passado, um júri considerou Munoz-Guatemala culpado, concluindo que ele "deveria razoavelmente saber que Jonathan Ross era um agente da lei e não um cidadão comum tentando agredi-lo".