A guerra comercial do presidente Donald Trump com o Canadá está se intensificando à medida que se aproximam as eleições americanas de meio de mandato.
As tarifas trocadas entre os países vizinhos ameaçam os esforços dos republicanos para responder às preocupações econômicas dos eleitores em um ano no qual o controle do Senado dos Estados Unidos depende de Estados localizados ao longo da fronteira com o vizinho ao norte.
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A disputa se agravou no fim de semana, depois do fracasso das negociações, levando Trump a elevar as tarifas sobre US$ 20 bilhões em produtos importados do Canadá.
Em resposta, o Canadá anunciou suas próprias tarifas de 15%, 25% e 50% sobre 700 produtos importados dos EUA nesta terça-feira, e a escalada do conflito pode provocar alta de preços e desorganizar cadeias de suprimentos para americanos que já estão insatisfeitos com a condução da economia pelo presidente.
A senadora republicana Susan Collins, do Maine, um dos principais alvos dos democratas neste ano, alertou que as consequências da abordagem de Trump prejudicarão empresas e consumidores americanos.
“Impor novas tarifas ao Canadá é um erro”, afirmou Collins durante ato de campanha na segunda-feira, mencionando lagostas, mirtilos, madeira e outros produtos do Maine destinados ao mercado canadense.
A questão também pressiona republicanos em Michigan, Ohio e Alasca, Estados nos quais o Canadá é um importante parceiro comercial.
Muitos democratas parecem dispostos a explorar o tema na tentativa de recuperar a maioria no Senado, apesar do histórico de posições protecionistas dentro do próprio partido.
“Trump está intensificando uma guerra comercial com o Canadá por vaidade própria”, afirmou nas redes sociais Abdul El-Sayed, candidato democrata em Michigan, acrescentando que seu adversário republicano, o ex-deputado Mike Rogers, é um “carimbador” dessas políticas.
Um terço das exportações do Estado segue para o Canadá.
Marc Short, um dos principais assessores do então vice-presidente Mike Pence durante o primeiro governo Trump, afirmou que a questão representa uma armadilha política para os republicanos.
“É difícil, obviamente, porque você não quer provocar a ira do presidente”, afirmou.
“Mas, ao mesmo tempo, acho que, se você representa especialmente Estados agrícolas, seus eleitores provavelmente estão ansiosos para ter alguém defendendo seus interesses em Washington neste momento.”
A senadora republicana Susan Collins, do Maine, responde a jornalistas no Capitólio, em Washington, em 14 de julho de 2026
AP Foto/J.
Scott Applewhite/Arquivo
Trump avança com tarifas
É possível que Trump mude de rumo ou adie seus planos.
Por enquanto, porém, o presidente não demonstra arrependimento diante da turbulência econômica.
“O Canadá vem explorando os Estados Unidos há anos”, escreveu Trump na segunda-feira em sua plataforma Truth Social, acrescentando que elevará para 50%, em 2027, as tarifas sobre todos os automóveis, autopeças e aço canadenses.
“NÓS NÃO PRECISAMOS DO CANADÁ, ELES PRECISAM DE NÓS!”, acrescentou.
O principal representante comercial de Trump minimizou a disputa em tom mais moderado.
“Isso é algo em que, na verdade, não esperamos um impacto enorme”, afirmou o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, a jornalistas do lado de fora da Ala Oeste da Casa Branca.
O vice-presidente J.D.
Vance visitou o Maine na segunda-feira, onde elogiou “nossa amiga muito independente Susan Collins” e garantiu aos eleitores que “estamos muito atentos ao fato de que o Maine é um Estado fronteiriço com o Canadá”.
Segundo ele, o governo tenta garantir que o Maine “consiga um acordo justo”.
Collins não apareceu ao lado de Vance na segunda-feira nem durante a visita anterior do vice-presidente ao Maine.
Ela fez campanha separadamente enquanto tenta superar o desafio do candidato democrata Troy Jackson, ex-líder do Legislativo estadual.
Jackson, que trabalhou como madeireiro antes de entrar para a política, afirmou que as tarifas são mais um exemplo de como Collins não faz o suficiente para enfrentar o presidente.
“Troy passou a maior parte da vida trabalhando ao longo da fronteira canadense, portanto sabe como essa relação é importante para a economia do Maine”, afirmou Dan Gottlieb, porta-voz de Jackson.
O vice-presidente J.D.
Vance fala na sede da CompoTech, na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, em Brewer, Maine
Anna Moneymaker/Pool Photo via AP
Republicanos tentam manter controle do Senado
Trump não escondeu sua simpatia pelas tarifas durante sua campanha de retorno à Casa Branca, prometendo que impostos mais altos sobre importações proporcionariam uma receita extraordinária ao Tesouro americano e impulsionariam a indústria nacional.
As preocupações com inflação e custo de vida, no entanto, não diminuíram, inclusive em Estados com disputas eleitorais importantes neste ano.
Maine, Ohio, Michigan e Alasca têm setores como pesca, autopeças, madeira e produtos agrícolas que exportam mercadorias pela fronteira norte, enquanto produtos importados do Canadá são vendidos por uma ampla variedade de varejistas americanos.
Iowa, que também tem uma disputa competitiva pelo Senado, não faz fronteira terrestre ou marítima com o Canadá, mas exporta mais produtos para o país do que para qualquer outra nação.
O Majority Forward, comitê de ação política ligado aos democratas do Senado, já veiculou anúncios na televisão contra o senador republicano Dan Sullivan, do Alasca, durante a paralisação parcial do governo no ano passado.
“As tarifas estão atingindo o Alasca com mais força”, dizia o anúncio.
“Ligue para Dan Sullivan e diga a ele...
pare de aumentar nossos custos.”
O senador americano Dan Sullivan, republicano do Alasca, fala durante um evento de mobilização de eleitores realizado em uma fazenda em Palmer, Alasca, na segunda-feira, 17 de agosto de 2026
AP Foto/Mark Thiessen
Comércio é questão central em Ohio
O ex-senador de Ohio Sherrod Brown tenta retornar a Washington derrotando o senador republicano Jon Husted.
Brown é há muito tempo um democrata protecionista e próximo dos sindicatos.
Ele, porém, tem criticado a abordagem de Trump, argumentando que uma coisa é adotar uma postura agressiva contra uma potência econômica adversária como a China e outra é impor tarifas desiguais e imprevisíveis a países vizinhos.
Husted assinou uma carta bipartidária no início deste ano pedindo ao governo que agisse com cautela durante a renegociação de um acordo comercial com Canadá e México.
Ao mesmo tempo, abraçou as políticas econômicas da Casa Branca e recentemente apareceu ao lado de Vance em uma siderúrgica de Ohio para elogiar a agenda econômica do governo.
“Hoje é um novo dia, realmente é”, afirmou Husted.
“É um novo dia por causa da agenda ‘América Primeiro’.”
Brown ainda não criticou Husted pelas tarifas contra o Canadá, concentrando-se, em vez disso, no apoio do senador a centros de dados e à guerra de Trump com o Irã.
Lauren French, porta-voz do Senate Majority PAC, afirmou, porém, que a disputa tarifária com o Canadá se encaixa perfeitamente no argumento mais amplo que Brown e outros democratas apresentam contra Trump e seus aliados.
“É mais uma evidência para sustentar o argumento de que este é um sujeito que continua aumentando seus custos sem motivo algum”, afirmou.
Vance diz que Trump quer 'justiça'
Short afirmou que o protecionismo do primeiro mandato de Trump era mais fácil de defender porque estava mais concentrado na China.
No segundo governo Trump, segundo ele, “afastamos tanto nossos parceiros comerciais tradicionais que parte da retaliação deles foi deixar de comprar produtos agrícolas”, eliminando mercados alternativos para compensar eventuais perdas no comércio com Pequim.
No Maine, Vance insistiu que Trump quer apenas estabelecer condições de igualdade no comércio com o Canadá.
“Eles não esperam que ninguém reaja”, afirmou Vance.
“Estamos cansados disso.”
Ele também acusou o Canadá de tratar a China de maneira mais favorável do que os Estados Unidos nas negociações comerciais.
“Acabou”, afirmou Vance.
“Esperamos justiça em nossa política comercial.”
Collins apresentou um objetivo diferente.
“Eu realmente quero que voltemos à relação muito amigável e economicamente benéfica que temos com nossos vizinhos canadenses”, afirmou.
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