Guerra com Irã esvazia Dubai, provoca fuga de estrangeiros e abala imagem de 'paraíso'
Dubai, um dos principais centros financeiros e turísticos do mundo, enfrenta uma crise sem precedentes após a escalada da guerra envolvendo o Irã, que já provocou ataques diretos ao território dos Emirados Árabes Unidos, fuga em massa de estrangeiros e um colapso na atividade econômica local.
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Desde o fim de fevereiro, quando começaram os bombardeios iranianos em retaliação a ações dos Estados Unidos e de Israel, a cidade — conhecida por praias lotadas, shoppings de luxo e arranha-céus — passou a registrar ruas vazias, hotéis com baixa ocupação e centros comerciais desertos. Imagens e relatos, como do repórter Ian Birrell ao Daily Mail, mostram um cenário descrito por moradores como uma “cidade fantasma”.
A ofensiva inclui centenas de mísseis e milhares de drones lançados contra o país. Embora a maioria tenha sido interceptada, fragmentos atingiram áreas urbanas e infraestrutura em Dubai e Abu Dhabi, causando mortes, feridos e danos materiais.
Cadeiras vazias em frente a um dos prédios de luxo de uma praia em Jumeirah Beach Residence em Dubai, em 11 de março de 2026
Fadel Senna / AFP
A insegurança levou à saída de milhares de expatriados e turistas, pilares da economia local. Empresas internacionais evacuaram funcionários, e até bancos e multinacionais reduziram operações. O impacto é direto: o turismo, uma das principais fontes de receita do emirado, entrou em queda acentuada, com cancelamentos em massa e retração no setor imobiliário e de serviços.
Além do êxodo, há relatos de detenções de estrangeiros — incluindo turistas e influenciadores — por publicarem nas redes sociais conteúdos relacionados aos ataques. As autoridades locais reforçaram leis rígidas de controle de informação, alegando necessidade de preservar a ordem pública.
O clima de tensão é agravado por episódios como a queda de destroços de interceptações de mísseis sobre áreas comerciais e empresariais, além de danos a instalações de grandes companhias internacionais.
Segundo o relato de Birrell, que ouviu moradores da cidade, o conflito compromete de forma estrutural o modelo econômico de Dubai, historicamente baseado em estabilidade, segurança e atração de capital estrangeiro. A saída de profissionais qualificados e investidores pode ter efeitos duradouros, com risco de recessão e perda de relevância global. Mesmo com esforços das autoridades para manter uma aparência de normalidade, a percepção internacional mudou.
