Guardas municipais denunciam uso de coletes vencidos após ataque que matou dois agentes em Portel

 

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A denúncia de que guardas municipais de Portel, no arquipélago do Marajó, estariam trabalhando com coletes balísticos vencidos veio à tona, nesta segunda-feira (9), após um final de semana marcado pela extrema violência no município, que terminou com quatro mortos, entre eles dois agentes da Guarda Municipal, identificados como Alessandro Oliveira Freitas e Iago Fernando Medeiros Pereira.


Em vídeos divulgados nas redes sociais, os servidores denunciaram uma série de falhas estruturais e abandono institucional, afirmando que a falta de equipamentos adequados coloca em risco a vida deles. Uma das acusações mais graves é justamente o uso de coletes balísticos fora do prazo de validade, alguns já deteriorados.


“Não tinha um transporte para socorrer eles (sic). Nem sequer um rádio para chamar apoio. Até agora, o nosso chefe maior, que é o prefeito, não veio nem dar um abraço em nós (sic). Ele estava lá no Re x Pa assistindo, bebendo cachaça. Fez um vídeo porre e não veio aqui”, disse um guarda municipal.


Outro agente reforçou a denúncia e relatou a precariedade enfrentada diariamente pela corporação. “Nós perdemos dois parceiros, dois guerreiros, ele [o prefeito], não teve a hombridade de falar com a gente. Ele mostrou um vídeo porre. Nossos irmãos não vão voltar e nós estamos a mercê aqui, trabalhando armado com colete balístico vencido, que a gente pega e ele se desfaz todinho. A gente não tem um balístico próprio. A gente tem que estar dividindo entre a gente. Eu largo o serviço, eu passo o balístico para o colega. A gente sai de casa, e, se um vagabundo estiver esperando a gente na frente da nossa casa?”, questionou.


As críticas se estendem à falta de viaturas, motos sucateadas e ausência de estrutura básica para o trabalho ostensivo. “O sangue dos quatro que aconteceu isso corre nas mãos de vocês”, disse outro guarda.


“Essa aqui é a foto do colete do irmão Freitas. Sem um pingo de estrutura. Poderia ter sido qualquer um de nós ali. Nós estamos sendo expostos. Motos sucateadas, VTR [viatura] parada. O que a gente quer de qualidade, a gente tira do nosso bolso. Não é o município que dá”, denunciou uma guarda municipal.


A reportagem tenta contato com a Prefeitura de Portel, para obter um posicionamento acerca das denúncias apresentadas.


Entenda o caso


Portel, que precisou de reforço na segurança, viveu uma noite de terror no sábado (7), quando quatro pessoas foram assassinadas. Duas delas eram guardas municipais que realizavam rondas pela cidade em motocicletas. Outros dois agentes foram baleados e encaminhados ao Hospital Regional do Marajó, em Breves.


Segundo informações policiais, um grupo criminoso, supostamente portando fuzis, atacou os guardas por volta de 23h30. Após os disparos contra os agentes, os criminosos invadiram uma residência e executaram a tiros um homem conhecido como “Gato Mestre”, que teria envolvimento com o tráfico de drogas. Em seguida, foi morto o professor Dalcides Santana Pinheiro. A motivação da morte do professor ainda é desconhecida.


Depois dos crimes, os suspeitos abandonaram um veículo em um quintal na rua Duque de Caxias, na área conhecida como Portelinha, e atearam fogo no carro.


A Redação Integrada de O Liberal apurou com uma fonte, que pediu para não ser identificada, que dias antes houve um confronto em Portel que terminou com a morte de um homem suspeito de chefiar o Comando Vermelho no município. Antes disso, também havia sido morto um homem que supostamente cobrava a chamada “taxa do crime” de comerciantes locais.