Guardas armados estarão nas ruas do Rio no próximo domingo

 

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A Força Municipal — divisão de elite e armada da Guarda Municipal do Rio de Janeiro — estreia no próximo domingo nas ruas da cidade, equipada com pistolas Glock 9 milímetros, além de armas de choque. Segundo a prefeitura, os agentes usarão câmeras corporais obrigatórias e serão supervisionados em tempo real, 24 horas por dia, a partir de uma sala de monitoramento e de gestão operacional. A central poderá ainda acionar as equipes e acompanhar as ocorrências ao vivo pelas imagens registradas durante as ações.

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De acordo com o município, se um guarda da divisão de elite desviar-se ou afastar-se do trajeto previsto durante uma missão, a sala de monitoramento receberá um alerta automático. E poderá verificar o que ocorreu em tempo real por acesso remoto às câmeras corporais. Os dispositivos móveis também serão usados para acionar a sala de supervisão e para transmitir missões específicas, registrar ocorrências e elaborar relatórios.

Ao todo, 600 agentes foram preparados para a nova tropa. Mas a entrada em serviço dos guardas ocorrerá de forma gradual, por etapas, e parte do efetivo ficará de prontidão nesta fase inicial. A promessa do prefeito Eduardo Paes é de que informará esta semana as regiões da cidade onde a nova divisão começará a atuar.

Ele participou ontem da cerimônia de formação da primeira turma da Força Municipal e anunciou o lançamento, ainda nesta semana, de um novo edital para recrutar e formar mais 600 guardas. Paes acrescentou que a nova força terá papel de apoio na segurança pública.

— Ela não substitui as polícias, comandadas e controladas pelo governo do estado, que continuam tendo a responsabilidade de enfrentar o crime organizado. A Força Municipal foi criada para dar apoio no combate a roubos e furtos nas ruas. O que a gente identificou com dados é que 50% desses crimes acontecem em 5% do território da cidade. Ou seja, com planejamento e inteligência, podem ser combatidos e evitados. Os agentes não estarão sozinhos nas ruas. Serão monitorados 100% do tempo, vão atuar equipados com câmeras corporais — disse o prefeito, que deixará o cargo no próximo dia 20 para disputar o governo do estado.

Impasse inicial

No mês passado, a Polícia Federal chegou a negar o pedido da prefeitura para a concessão de porte de arma aos integrantes da Força Municipal, alegando que a legislação proíbe a cessão de armamento a integrantes de outras carreiras que estejam lotados na Guarda Municipal. Mas, no início deste mês, um acordo colocou um fim ao impasse, sendo acertado que a atuação armada será restrita aos guardas que integram a unidade.

Ontem, Paes reforçou que a atuação dos agentes será orientada por dados e integrada às estratégias das forças estaduais.

— Nós queremos colaborar no combate a roubos e furtos de rua, até para permitir que a Polícia Militar possa fazer a recuperação de territórios tomados por delinquentes, milicianos, traficantes e narcomilicianos. Os agentes vão começar gradualmente, com o acompanhamento de tudo a partir de dados, mancha criminal, evidências. Será um trabalho sério e objetivo, com controle de autoridades do mais alto escalão — completou.

Para a nova função, os guardas foram selecionados com base no histórico de atuação, considerando critérios como eficiência, disciplina e aptidão física, além de avaliações médicas e psicológicas. O curso de formação teve mais de 500 horas de duração, com cerca de 800 disparos efetuados em treinamento. A capacitação incluiu técnicas de abordagem e outros procedimentos de policiamento.

Segundo a Guarda Municipal, os agentes atuarão em áreas com maior incidência de roubos e furtos. A tropa contará com 118 veículos, entre picapes, motocicletas e vans para patrulhamento.

Mulheres: 25% da tropa

Diretora-geral da divisão de elite da Guarda Municipal, Aimée De La Torre lembrou o Dia Internacional da Mulher, celebrado ontem, e parabenizou especialmente as agentes das turmas. As mulheres são cerca de 25% dos agentes formados.

— Entre os integrantes dessa turma, estão mulheres que passaram pelo mesmo processo seletivo, enfrentaram as mesmas exigências e demonstraram a mesma disciplina, preparo e capacidade. Por isso, eu me orgulho de ser uma delas. Integrar esse efetivo não é privilégio, não é concessão, mas mérito conquistado com esforço, dedicação e compromisso com a missão — disse ela.

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