Guarda Revolucionária adverte que passo em falso ou movimento hostil prenderão EUA 'em redemoinhos mortais no Estreito de Ormuz'

 

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O comando da Marinha da Guarda Revolucionária, exército ideológico do Irã, advertiu neste domingo que “qualquer erro de cálculo ou movimento hostil” prenderão os EUA “em redemoinhos mortais no Estreito [de Ormuz]”, segundo a agência de notícias Tasnim, afiliada à força de elite. A afirmação foi feita depois de a mídia estatal do Irã anunciar a mobilização de Forças Especiais Navais ao longo da costa sul do país, finalizando sua preparação para uma potencial invasão por terra de forças americanas. Segundo o jornal Wall Street Journal, a rede estatal iraniana Student News Network publicou fotos de soldados com uniformes camuflados perto de uma costa arenosa para "conter qualquer possível infiltração inimiga no território do país".

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As declarações surgiram logo após o presidente dos EUA, Donald Trump, publicar uma mensagem nas redes sociais, dizendo que a Marinha dos EUA começaria a bloquear “todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz”, uma via navegável crucial por onde passam 20% do petróleo e gás mundial, após o Teerã não ter alcançado com Washington no Paquistão um acordo para pôr fim à guerra. Depois do início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã fechou a passagem, fazendo os preços globais do petróleo dispararem mais de 50%. O republicano acrescentou que quaisquer iranianos que atacarem embarcações americanas ou outros navios pacíficos “serão EXPLODIDOS PARA O INFERNO!”.

Um bloqueio naval pode ser considerado um ato de guerra pelo Irã. Seis dias depois de Washington e Teerã terem concordado com um cessar-fogo temporário de duas semanas para permitir negociações para um acordo de paz, o republicano também afirmou que o Exército dos EUA vai "acabar com o pouco que resta do Irã".

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Trump condicionou o cessar-fogo de duas semanas ao fim do controle do Estreito de Ormuz pelo Irã, mas os líderes iranianos não deram qualquer indicação de que pretendem relaxar o controle sobre a hidrovia, que consideram uma moeda de troca crucial. Na prática, apenas alguns navios transitaram pela via desde o início da trégua. Em uma postagem desafiadora nas redes sociais no início deste domingo, Ali Akbar Velayati, membro da equipe de negociação do Irã, afirmou que “a chave” para o Estreito de Ormuz “está firmemente em nossas mãos”.

Suposta operação no estreito

No sábado, o Pentágono afirmou que dois navios de guerra dos EUA cruzaram o Estreito de Ormuz para iniciar uma operação de remoção de minas terrestres dessa importante via navegável. O Irã negou a alegação e, neste domingo, alertou que qualquer tentativa de navios militares de atravessar a passagem seria recebida com uma “resposta firme e enérgica”, segundo a emissora estatal do país.

Neste domingo, Trump afirmou que a Marinha dos EUA "buscaria e interceptaria" qualquer embarcação que pagasse um pedágio ao Irã para conseguir atravessar a passagem. Em entrevista à Fox News, ele disse que os aumentos nos preços do petróleo e do gás não foram tão ruins quanto ele esperava antes de iniciar a guerra e que sentia que a economia dos EUA era forte o suficiente para suportar os efeitos do conflito. Também afirmou que diz a seus conselheiros econômicos: “Desculpe, pessoal, estamos em ótima situação. Temos que fazer uma pequena viagem ao Irã e impedi-los de obter uma arma nuclear.”

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— Não precisamos do estreito, mas outros países precisam — disse ele. — Acreditamos que vários países também nos ajudarão com isso, mas estamos impondo um bloqueio total. Não vamos deixar o Irã lucrar com a venda de petróleo.

Washington ordenou o envio de milhares de fuzileiros navais e tropas aerotransportadas para o Oriente Médio, com novos destacamentos previstos após o início do cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Embora o presidente dos EUA não tenha afirmado que pretende enviar tropas terrestres, esses destacamentos dariam aos EUA mais opções para ataques ou incursões por terra e desencadearam preparativos no Irã, que nas últimas semanas reforçou suas defesas aéreas, instalou minas e preparou bunkers nas ilhas ao longo de sua costa.

E grande parte da frota de embarcações ágeis da Guarda Revolucionária Iraniana, projetada para controlar o Estreito de Ormuz, permanece intacta, representando uma ameaça mesmo após os EUA terem destruído a maior parte da Marinha iraniana.

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Editoria de Arte/O Globo

Negociações no Paquistão

Mediadas pelo Paquistão, as negociações deste fim de semana representaram o encontro presencial de mais alto nível entre líderes americanos e iranianos desde a Revolução Islâmica do Irã, em 1979.

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O vice-presidente JD Vance, que liderou a delegação dos EUA durante a maratona de negociações no Paquistão, afirmou que os dois lados não chegaram a um acordo porque Teerã se recusou a abandonar seu programa de armas nucleares. Ele partiu para os EUA no início da manhã deste domingo.

O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que Washington não conseguiu conquistar sua confiança, enquanto a emissora estatal iraniana atribuiu o fracasso às "exigências descabidas" dos EUA em relação à questão nuclear e ao Estreito de Ormuz. Teerã afirmou que nenhuma nova rodada de negociações foi agendada.

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Analistas afirmaram que as questões que dividiam os dois países eram tão complexas — e suas diferenças tão arraigadas — que fechar um acordo em uma única rodada de negociações era altamente improvável. Mas nem o Vance nem Ghalibaf descartaram outra rodada de negociações antes do término do cessar-fogo de duas semanas, em 21 de abril.

Ghalibaf afirmou nas redes sociais que a profunda desconfiança entre os dois lados representava um obstáculo para se chegar a um acordo. Os Estados Unidos não conseguiram conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações, disse ele. "Agora é hora de decidir se eles podem ou não ganhar nossa confiança."

Trump, que assistia a uma luta do UFC na Flórida durante as negociações, declarou o cessar-fogo na semana passada em parte para amenizar o impacto da perda de acesso a 20% do suprimento mundial de petróleo. Os outros dois pontos-chave eram o destino de quase 408 kg de urânio altamente enriquecido e a exigência do Irã de que cerca de US$ 27 bilhões em receitas congeladas e mantidas no exterior fossem liberados, disseram as autoridades.

Com New York Times