Água, o espelho natural de Oxum

 

Fonte:


A água foi o primeiro espelho natural da humanidade. Diferente do metal ou do vidro, ela não fixa a imagem, ela a transforma. Um pequeno movimento muda tudo, uma brisa altera o reflexo, um gesto rompe a forma. Olhar-se na água é aceitar que nada é permanente e que a identidade também se constrói no fluxo da vida.

É no reflexo da água que Oxum se revela como a grande senhora do espelho natural. Oxum é a água doce, o rio que acolhe, que nutre e que ensina a olhar para si com cuidado e amor. Seu Abẹ̀bẹ̀ dígí, o leque espelhado, não representa luxo, mas a consciência da força da imagem e do valor de saber se apresentar ao mundo com dignidade e equilíbrio. Oxum nos lembra da importância da imagem bem cuidada, não por vaidade vazia, mas como expressão de amor-próprio e respeito por si.

Suas águas refletem aquilo que pode ser melhorado. Quando nos miramos nas águas de Oxum, aprendemos a reconhecer o próprio valor, a própria beleza e também as próprias fragilidades. Oxum ensina que o espelho não deve ferir, mas curar, não deve humilhar, mas fortalecer. O reflexo não acusa, orienta. Não condena, ensina.

O espelho de Oxum é oportunidade. Nas águas calmas, a vida se reflete e revela caminhos que muitas vezes passam despercebidos. Quem sabe olhar com atenção percebe sinais, possibilidades e escolhas que surgem como imagens suaves na superfície do rio. As oportunidades que passam pelo espelho natural exigem sensibilidade, paciência e respeito ao tempo. Oxum não apressa, ela conduz. Seu espelho convida à escuta interior e ao reconhecimento de que prosperidade, amor e equilíbrio começam na forma como cada um se enxerga.

Assim, o espelho ligado a Oxum não é objeto de ilusão, mas de verdade delicada. Ele reflete não apenas o rosto, mas o Orí, a consciência e o valor pessoal. Olhar-se nas águas de Oxum é aprender a ver com o coração, compreendendo que a imagem mais importante não é a que aparece na superfície, mas aquela que se constrói no íntimo, no cuidado consigo e com o outro, no respeito à própria história e ao fluxo sagrado da vida.

Ainda assim, é preciso atenção, pois nem tudo o que parece é. Assim como o espelho mostra o lado invertido, a vida também apresenta armadilhas de ilusão. Oxum nos ensina a olhar para nós mesmos com verdade, sem medo de reconhecer o que precisa ser aprimorado, tanto no exterior quanto no interior. Melhorar não é negar quem se é, mas honrar o potencial que se carrega.

E você, já se olhou no espelho hoje? Viu-se em verdade ou em fantasia? Peça a Mamãe Oxum clareza, apreço e virtude para enxergar além da aparência e caminhar com mais consciência.

Òóré yeye o!

Axé para todos!