Égua cai em adutora e pode deixar quase 70% da Grande BH sem água; abastecimento afeta mais de 1 milhão
A queda de uma égua em uma das adutoras do Sistema Rio das Velhas interrompeu o abastecimento de água em Belo Horizonte e em outras sete cidades da Região Metropolitana, afetando potencialmente mais de 1 milhão de pessoas. A suspensão no fornecimento foi iniciada pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) nesta terça-feira (5), após a suspeita de que um animal de grande porte havia acessado a tubulação.
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Somente na capital mineira, onde vivem mais de 2,3 milhões de habitantes, o problema pode atingir quase 70% dos bairros. Ao todo, são 334 bairros afetados em Belo Horizonte, incluindo regiões populosas como Buritis, Sagrada Família e Castelo.
Além da capital, o desabastecimento também alcança bairros de Sabará, Nova Lima, Santa Luzia, Ribeirão das Neves, Contagem, Raposos e Vespasiano. Segundo a Copasa, o fornecimento foi interrompido para permitir o trabalho das equipes técnicas e a inspeção da rede.
A situação provocou impactos imediatos na rotina dos moradores. Em entrevista à rádio Itatiaia, o pedreiro Carlos Alberto, de 49 anos, morador do bairro São Lucas, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, relatou dificuldades desde o início da interrupção.
"Estou sem água desde ontem. Só tomei banho porque tinha um pouco de água na caixa. Mas hoje já acabou. Não vou nem mandar minha filha para a aula. Não tem água nem para escovar os dentes. Quero ver como esse pessoal vai arrumar hoje, com esse calorão. Está difícil demais", disse ao jornal Itatiaia o pedreiro Carlos Alberto, 49 anos, morador do bairro São Lucas, Região Centro-Sul de BH.
Em Nova Lima, a prefeitura suspendeu as aulas nesta quarta-feira (6) em razão da falta de água.
Retirada do animal e retomada gradual
Na manhã desta quarta-feira, a Copasa informou que a égua foi retirada da adutora e que o sistema deve ser religado ainda hoje, com normalização gradual do abastecimento ao longo do dia.
Em nota, a companhia afirmou que a prioridade é garantir a segurança técnica da operação e a tranquilidade da população da capital e da Região Metropolitana.
“A prioridade absoluta da companhia neste momento é garantir a segurança técnica e a tranquilidade da população de Belo Horizonte e Região Metropolitana”, informou a empresa.
Segundo a Copasa, antes da retomada do sistema, toda a água presente no trecho afetado da tubulação foi descartada por medida de segurança sanitária.
“Como medida de rigor e responsabilidade com a saúde pública, toda a água que estava presente no trecho afetado da tubulação foi integralmente descartada. Nenhum volume desse estoque será direcionado ao consumo”, destacou.
Após o descarte, foi iniciado um processo de sanitização e desinfecção química de toda a rede, seguido por testes laboratoriais para verificar os parâmetros de potabilidade da água. A Estação de Tratamento de Água (ETA) só retomará o bombeamento após a confirmação técnica de que a água atende aos padrões sanitários exigidos.
A companhia informou ainda que hospitais e unidades de saúde seguem com atendimento prioritário por meio de caminhões-pipa até a completa normalização do serviço.
Inicialmente, a empresa havia mobilizado equipes para uma varredura na tubulação de 2,4 metros de diâmetro, com uso de drones e equipamentos de inspeção robótica, diante da suspeita da presença do animal.
Além dos 334 bairros de Belo Horizonte, o problema atinge 91 bairros em Santa Luzia, 88 em Nova Lima, 86 em Sabará, 63 em Ribeirão das Neves, 20 em Raposos, oito em Vespasiano e três em Contagem.
