Grupo ligado a Daniel Vorcaro tinha policiais, bicheiros e núcleo hacker para ações ilícitas, aponta PF

 

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O despacho do ministro do STF André Mendonça afirma que o grupo “A Turma”, investigado na operação Compliance Zero e ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, contava com a participação de policiais federais da ativa e aposentados, operadores do jogo do bicho e outras pessoas ainda não totalmente identificadas pela investigação.

Segundo a decisão, o núcleo “Os Meninos” reunia integrantes com perfil hacker, remunerados para executar invasões cibernéticas, monitoramento ilícito e possível destruição ou ocultação de evidências digitais.

A Polícia Federal também identificou a participação da delegada da PF Valéria Vieira Pereira da Silva e do agente federal Francisco José Pereira da Silva em acessos a informações sigilosas dentro do próprio sistema da corporação. De acordo com a investigação, os dados consultados estavam relacionados a Daniel Vorcaro.

Para a PF, os fatos indicam uma infiltração do grupo em “circuitos sensíveis”, além da utilização de pessoas funcionalmente habilitadas para viabilizar a circulação de recursos e de informações sigilosas em favor da organização criminosa.

Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, exercia papel central na estrutura investigada. Segundo a PF, ele atuava em colaboração direta com o filho, tanto como solicitador quanto como beneficiário dos serviços ilícitos prestados pelo grupo.

Os investigadores afirmam ainda que Henrique Vorcaro desempenhava função própria na engrenagem financeira da organização, sendo responsável por pagamentos destinados aos integrantes dos grupos operacionais.

Conversas extraídas do celular do escrivão aposentado da Polícia Federal Marilson Roseno da Silva, apontado como integrante do núcleo “A Turma”, indicam que Henrique Vorcaro continuou solicitando serviços ilícitos e providenciando recursos para manter o grupo ativo mesmo após o início das primeiras fases da operação Compliance Zero.

Segundo a investigação, há mensagens trocadas em novembro de 2025 e janeiro de 2026 nas quais Marilson pede ajuda financeira a Henrique Vorcaro, afirmando não querer ser “deixado à deriva” enquanto sustentava uma “manada de búfalo”. Em resposta, Henrique teria informado que receberia recursos e enviaria “400” ao policial aposentado assim que possível.

A Polícia Federal conclui que Henrique Vorcaro não apenas se beneficiava dos serviços ilícitos prestados pela organização, mas também solicitava as ações, financiava os operadores e mantinha contato frequente com integrantes do grupo mesmo após o avanço das investigações.