Grupo de produtores defende subsídios para acelerar transição sustentável

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Fonte da notícia: Globo Rural Globo Rural

A Frente Empresarial para Regeneração da Agricultura (Fera) lançou campanha e carta-manifesto em defesa do que considera pontos-chaves para estimular a transição sustentável no agro. O grupo, formado produtores com práticas regenerativas, chama a atenção para a necessidade de maior acesso ao crédito para aqueles que estejam dispostos a assumir compromissos com a agricultura sustentável. Defende também capacitação técnica para geração de mão de obra, maior acesso a mercados e criação de normas de incentivo. A carta manifesto, intitulada “A nova safra do agro é regenerativa”, defende que a adaptação e a inovação transformarão o abastecimento alimentar global, mas salienta que “nenhuma safra nasce sozinha”. “É preciso investir em políticas públicas com acesso a crédito facilitado, que reconheça o tempo da transição, assistência técnica que chegue a quem está longe dos grandes centros e acesso a mercados dispostos a valorizar quem já entrega esse resultado”, diz o documento. Giuliano Beggio, produtor de cana-de-açúcar e cereais na cidade de Matão (SP), é um dos membros da frente. Ele conta que promoveu mudanças no negócio da família depois que entrou na Fera. “Assumi como missão mostrar que é plenamente possível unir produtividade excepcional na cana-de-açúcar e nos grãos com práticas regenerativas que restauram solo, água e biodiversidade”, diz. Leia também: Conheça a uva que pode reduzir em 90% o uso de fungicidas nos vinhedos O produtor afirma que busca transformar os princípios da agricultura regenerativa em decisões práticas de manejo, permitindo discutir os ganhos ambientais e os desafios econômicos e técnicos da transição para sistemas mais sustentáveis. Na propriedade, adota práticas que buscam aumentar a matéria orgânica e a vida do solo, reduzir a dependência de insumos externos e ampliar a biodiversidade. Mas o objetivo não é apenas reduzir impactos ambientais. “Na agricultura regenerativa, a proposta é recuperar a capacidade produtiva do próprio agroecossistema, fazendo do solo um dos principais ativos da fazenda. Práticas como cobertura permanente do solo, diversificação de culturas, plantas de cobertura, manejo adequado de insumos e integração entre diferentes componentes do sistema produtivo ganham importância”, avalia. Giuliano Beggio, produtor de cana-de-açúcar e cereais na cidade de Matão (SP), é um dos membros da frente Divulgação A produtora Flávia Garcia Cid, da Fazenda Jaracatiá, em Querência do Norte (PR), é outra participante da Fera.

“Acredito no potencial da união de nossas vozes em prol de um objetivo que é universal, tratando-se da conservação do planeta e manutenção da segurança alimentar. Um diálogo mais significativo pode trazer incentivos capazes de aumentar os produtores regenerativos”, afirma. Na Fazenda Jacaritiá são cultivadas ervas aromáticas e medicinais em cerca de 1 mil hectares. Além disso, a propriedade tem 314 hectares de área preservada, utiliza energia fotovoltaica e faz aproveitamento total da produção vegetal. Também destina parte dos resíduos da atividade para alimentação do gado e parte dos resíduos industriais, para um biodigestor. A seguir, a íntegra da Carta Manifesto A nova safra do agro é regenerativa Por um Brasil que produz, cuida da terra e garante o futuro Há um Brasil que já colhe, hoje, a resposta para uma pergunta que o mundo inteiro ainda tenta responder: como produzir em larga escala e também alimentar bilhões de pessoas sem esgotar a terra que sustenta essa fartura? Esse Brasil está em produção, agora, em milhares de fazendas espalhadas por todas as regiões do país, onde produtoras e produtores rurais vêm mostrando, na prática, que é possível produzir restaurando o solo e os mananciais, com segurança, resiliência climática, com aumento de produtividade e diminuição de custos. Chamamos esse caminho de agricultura regenerativa. O modelo produtivo que tem ganhado cada vez mais hectares pelo país pode parecer até novo, mas o impulso que o movimenta, não. É o mesmo impulso que, décadas atrás, transformou o Brasil em uma das maiores potências agrícolas do planeta: a capacidade de testar, ajustar e evoluir diante de cada novo desafio. Hoje, o desafio é um clima que muda mais rápido do que o calendário agrícola, a dependência e os custos dos insumos químicos importados e a necessidade de se ajustar às novas demandas de consumidores brasileiros e de mercados internacionais, cada vez mais exigentes com a origem do alimento. A resposta para cada uma dessas questões nasce, mais uma vez, de dentro da própria lavoura. O resultado já aparece na safra do produtor regenerativo. Solo cuidado retém mais água e resiste melhor aos anos de seca. Pastagens bem manejadas sustentam mais gado, com mais saúde animal, na mesma área. Terras antes exauridas voltam a produzir, e produzem mais do que produziam antes de serem abandonadas. O alimento que sai dessas terras chega às mesas do Brasil e do mundo com mais qualidade, com menos risco, com uma origem que pode ser contada com orgulho. É uma história de continuidade, escrita por quem nunca deixou de plantar. Produtores de grãos, de gado, da agrofloresta à cana-de-açúcar provam, cada um à sua maneira, que cuidar da terra e produzir em escala são parte do mesmo caminho, construído com modernidade, técnica e mais visão de futuro e de legado. Mas nenhuma safra nasce sozinha. Todo produtor, do iniciante ao mais experiente, sabe que só frutifica aquilo que é plantado com esmero. Para que essa prática deixe de ser exceção em algumas propriedades e se torne o padrão do campo brasileiro, é preciso o que toda boa colheita exige: preparo do terreno. É preciso investir em políticas públicas com acesso a crédito facilitado, que reconheça o tempo da transição, assistência técnica que chegue a quem está longe dos grandes centros e acesso a mercados dispostos a valorizar quem já entrega esse resultado. Nós, da Frente Empresarial para a Regeneração da Agricultura, reunimos uma rede de 14 mil produtores rurais e entidades do setor comprometidas com essa transição. Em nome de cada uma dessas pessoas que estão com as mãos na terra e plantando esse futuro, convidamos o poder público, o setor produtivo do agronegócio e a sociedade brasileira a reconhecer, nesta safra, a oportunidade de liderar uma transformação produtiva mundial. Podemos construir juntos um Brasil que siga alimentando o mundo, que garanta renda e segurança a quem vive da terra, e que atravesse as próximas décadas com o solo, e o futuro, mais férteis do que os encontrou. Esse é o imperativo do presente. Convidamos vocês a virem com a gente nessa evolução. A nova safra do agro é regenerativa. Vamos plantá-la e colhê-la juntos.

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