Grupo de Paes no PSD articula candidatura à presidência da Alerj e tenta ampliar bancada

 

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O grupo político ligado ao ex- prefeito do Rio, Eduardo Paes, no PSD, já se movimenta para lançar uma candidatura própria à presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), em meio ao impasse sobre o comando da Casa. A estratégia passa pela ampliação da bancada — hoje com seis deputados — para até dez cadeiras, o que colocaria a sigla como a segunda maior da Assembleia, atrás apenas do PL, que reúne 18 parlamentares. Atualmente, esse posto é ocupado pelo União Brasil, com nove deputados, já considerando a saída de Rodrigo Bacellar.

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Nos bastidores, o PSD já negocia a filiação de nomes como Célia Jordão (PL), Vinicius Cozzolino (União), Renato Miranda (PL) e André Correa (PP), movimento considerado decisivo para reposicionar o partido na correlação de forças da Alerj. Com uma bancada maior, a legenda busca ganhar musculatura para influenciar diretamente a eleição interna.

Além da expansão, o partido já discute possíveis nomes para encabeçar a disputa. Entre os cotados estão Vitor Júnior (PDT) e o próprio André Correa, que pode reforçar a sigla caso as negociações avancem. Apesar disso, a definição oficial deve ocorrer apenas após o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para o próximo dia 8.

As bancadas da Alerj

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— O PSD só irá confirmar apoio a um candidato para a eleição de presidente da Casa após a decisão do STF. Até lá, tudo ainda está sendo analisado — afirmou o deputado federal Pedro Paulo (PSD).

Insatisfação da Casa

O movimento do PSD ocorre em paralelo a articulações de partidos de esquerda, que se reuniram nesta terça-feira na Alerj para discutir o cenário político. Participaram do encontro parlamentares do PSOL, PT, PSB, PCdoB e PDT, que também defendem a construção de uma alternativa para o comando da Casa, sob o argumento de garantir estabilidade institucional. Nesta quarta-feira, a Executiva do PSOL orientou a bancada a lançar candidatura própria.

Entre esses grupos, há a avaliação de que a condução da eleição que elegeu Douglas Ruas (PL) — posteriormente suspensa pela Justiça — agravou a crise política e expôs a Assembleia. Parte do Centrão, que inclui siglas como Agir, Solidariedade e setores de União Brasil, PP e PL, também sinaliza desconforto e busca um nome de consenso.

O calendário jurídico e eleitoral segue como fator determinante para os próximos passos. A homologação da retotalização dos votos do deputado Rodrigo Bacellar pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) está prevista para o dia 14 de abril, e a tendência é que a eleição para a presidência da Alerj ocorra apenas após essa etapa.

Ainda assim, deputados da direita, em conjunto com a Procuradoria da Casa, estudam recorrer da decisão que suspendeu a eleição anterior, numa tentativa de viabilizar uma nova votação antes dessa data.

Expectativa de eleição direta

A expectativa entre PSD e partidos de esquerda é que o STF determine a realização de uma eleição direta e mantenha o atual chefe do Executivo estadual, Ricardo Couto, no cargo de forma interina até a definição do novo governador para o mandato-tampão.

Nos bastidores, o ambiente segue marcado por cautela. Com o prazo da janela partidária se encerrando no próximo dia 4, parlamentares evitam se posicionar publicamente, diante do receio de represálias dos partidos. Ao mesmo tempo, cresce a insatisfação com a forma como a eleição anterior foi conduzida, considerada apressada e prejudicial à imagem da Alerj.

Há, inclusive, deputados da direita que admitem, reservadamente, a possibilidade de rever seus votos em uma nova disputa, o que pode embaralhar ainda mais o cenário e abrir espaço para uma candidatura competitiva do PSD.