Grupo de 15 países se mobiliza para planejar retomada do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz
Um grupo de 15 países se mobilizam e planejam a reabertura do Estreito de Ormuz para facilitar a retomada do tráfego marítimo na região. A informação foi revelada nesta quarta-feira (8) pelo presidente da França, Emmanuel Macron.
Segundo ele, a iniciativa é justamente liderada pelo país. As informações são da agência de notícias Reuters.
Em um comunicado sobre os projetos no Estreito de Ormuz durante uma reunião com seus assessores e membros de seu governo, Macron afirmou que esse grupo busca 'viabilizar a implementação desta missão estritamente defensiva em coordenação com o Irã'.
Representantes dos Estados Unidos e do Irã devem se reunir na sexta-feira (10) no Paquistão para negociar um plano de paz definitivo. O convite foi feito pelo primeiro-ministro paquistanês, que intermediou o cessar-fogo de duas semanas fechado nesta terça-feira (7) entre o presidente Donald Trump e o regime iraniano.
A trégua foi anunciada 90 minutos antes de expirar o prazo dado pelo presidente americano em que ele ameaçava “exterminar a civilização iraniana” se o Estreito de Ormuz não fosse reaberto.
Os americanos anunciaram a interrupção imediata dos ataques e garantiram que Israel faria o mesmo. Em troca, Teerã anunciou a reabertura da rota estratégica, por onde passa um quinto da produção global de petróleo e gás.
Trump confirmou que recebeu uma proposta de Teerã com 10 pontos, que incluem a permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz e a suspensão de todas as sanções americanas.
O plano exige o fim das agressões americanas e israelenses; a aceitação do enriquecimento de urânio do Irã; e a revogação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica, relativas ao programa nuclear iraniano.
A proposta também cobra “compensação integral” pelos danos da guerra; a retirada de todas as forças de combate americanas das bases no Oriente Médio; e o fim da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.
Fumaça após ataque contra o Irã na guerra do Oriente Médio.
AFP
O presidente dos Estados Unidos, que prometia uma vitória incondicional, disse que considera a proposta do Irã uma base viável para negociação. Para o vice-diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Roberto Goulart Menezes, um dos pontos sensíveis nesses 15 dias será o controle sobre o Estreito.
Após o anúncio da trégua, as cotações do petróleo despencaram. O preço do barril caiu 18%, da faixa dos US$ 110 para US$ 90. No mercado financeiro, as ações subiram e o dólar caiu. As bolsas asiáticas também estão fechando no positivo. No Japão e na Coreia do Sul, os principais índices subiram mais de 5%.
Nesta madrugada, o presidente Donald Trump disse na rede social dele que os Estados Unidos ajudarão o Irã a desafogar o tráfego de navios acumulados no Estreito de Ormuz. Contrariando o discurso apocalíptico de mais cedo, o republicano afirmou que a terça-feira foi “um grande dia para a Paz Mundial”. Em entrevista à TV Globo, o professor Carlos Poggio, disse que o cessar-fogo mostra que o Irã saiu fortalecido do ponto de vista geopolítico.
Em Teerã, manifestantes saíram às ruas para celebrar o acordo e protestar contra os Estados Unidos e Israel. Apesar do anúncio do acordo de cessar-fogo, as forças de Israel mantiveram a ofensiva aérea contra o território persa na madrugada desta quarta-feira (8).
Os iranianos também continuaram a disparar mísseis e drones contra Israel, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein e Kuwait. Em Abu Dhabi, uma unidade de processamento de gás pegou fogo após ser bombardeada.
Em outra frente, Israel voltou a atacar posições do Hezbollah em cidades no sul do Líbano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que acatará o cessar-fogo em relação ao Irã, mas manterá a ofensiva contra o Líbano.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca.
BRENDAN SMIALOWSKI / AFP
