Uma possível greve nacional dos caminhoneiros, com início previsto para a próxima quinta-feira (05), ganhou repercussão nas redes sociais e provocou dúvidas sobre o abastecimento de combustíveis e a circulação de mercadorias pelo Brasil. Apesar das mensagens que anunciam uma paralisação por tempo indeterminado, não há confirmação de que o movimento realmente acontecerá.
Uma das principais lideranças da categoria, inclusive, negou a convocação. Trata-se de Wallace Landim, conhecido como Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), que esclareceu a situação neste sábado (31).
Em declaração ao ND Mais, ele afirmou que não existe nenhuma greve nacional programada para novembro e explicou que uma reportagem antiga sobre uma possível mobilização voltou a circular na internet. A informação também ganhou repercussão depois que o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) compartilhou, no Instagram, uma publicação que mencionava a possibilidade de paralisação dos caminhoneiros.
Chorão reconheceu, entretanto, que a categoria enfrenta dificuldades e continua cobrando melhorias nas condições de trabalho, especialmente em relação aos custos do transporte rodoviário. Segundo ele, representantes dos caminhoneiros estiveram em Brasília nesta semana e participaram de uma reunião no Ministério dos Transportes para discutir reivindicações.
Entre os assuntos estão a revisão da planilha de custos utilizada para calcular os fretes e a equalização de eixos dos veículos, questões que interferem diretamente na remuneração dos profissionais. O preço do óleo diesel, as despesas com manutenção dos caminhões e o cumprimento do piso mínimo do frete também estão entre as principais preocupações do setor.
O Governo Federal, por sua vez, anunciou na terça-feira (27) a prorrogação, por mais 30 dias, de uma subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel destinada a produtores e importadores do combustível. A medida busca amenizar os efeitos da alta dos preços internacionais.
Outra mudança ocorreu em agosto, com a sanção da Lei nº 15.485/2026, que reforçou a fiscalização sobre o pagamento do frete mínimo e estabeleceu penalidades mais rigorosas para quem descumprir os valores obrigatórios. Em setembro, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também atualizou a tabela de fretes, considerando o diesel S10 a R$ 7,33 por litro como referência para os cálculos.
Mesmo com essas medidas, as discussões sobre os custos e a remuneração dos caminhoneiros continuam. Quanto à possível paralisação de quinta-feira (05), não há, até este sábado (31), confirmação de adesão nacional de sindicatos e associações, nem definição de pontos de concentração ou bloqueios nas rodovias.
Embora tenha negado a convocação para novembro, Chorão não descartou uma greve futuramente, caso a categoria considere necessário pressionar o governo por novas medidas. Dessa forma, não existe, neste momento, confirmação de que os caminhoneiros vão interromper as atividades no dia 5 de novembro, tampouco informações verificadas que indiquem risco imediato de desabastecimento em razão dessa suposta mobilização.
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