Grandes blocos do Rio se unem ao levante 'Mulheres Vivas' no combate contra o feminicídio
O som que ecoará na Avenida Mem de Sá, no Centro do Rio, neste carnaval, não será apenas dos tamborins. No dia 17 de fevereiro, o bloco Quizomba, integrante da Liga Amigos do Zé Pereira, empresta sua voz e bateria para conscientização e combate ao feminicídio. A ação é uma parceria com o levante 'Mulheres Vivas', que já mobilizou mais de 100 municípios brasileiros e chega no carnaval de rua da capital pela primeira vez. A ideia é aproveitar a força do carnaval para transformar a festa em um grito de defesa da vida.
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A estratégia é inspirada no livro 'Festa e Guerra', de Beatriz Perrone-Moisés. Na obra, a autora conta que para os povos originários das Américas: a festa é um esquenta para a luta, e a luta um esquenta para a festa. Assim, o levantou resolveu criar uma estratégia de ocupação para o carnaval.
— Queríamos fazer uma grande manifestação sobre o tema e pensamos que o carnaval, que já possui sua campanha do "Não é Não", seria uma boa oportunidade. Ao invés de uma manifestação naquele padrão que a sociedade já está acostumada, vamos buscar por algo mais lúdico, como pede a festa — disse Rachel Ripani, criadora do levante.
Ocupando o espaço público de forma criativa, o levante levará para as ruas:
Alas Itinerantes: Mulheres que "flanam" entre os blocos carregando o estandarte da causa.
Identidade Coletiva: O uso de tatuagens temporárias e abadás exclusivos com a marca do movimento.
Hino de Resistência: Uma marchinha original assinada pela artista Fernanda Maia.
Os itens distribuídos para os blocos são feitos artesanalmente pelas voluntárias que integram o levante 'Mulheres Vivas'
Divulgação
Letra da marchinha
Simbora, povo, simbora
Vamos pra rua
Batucando no coração
A rua é nossa, simbora
Vem ser feliz
Nosso riso é revolução
Me dá a mão, menina
Te quero viva
Vem ver o sol, menina
Te quero viva
Conta comigo, menina
Estamos vivas
Vem rir bem alto, menina
Mulheres vivas
E vem sem medo, menina
Te quero viva
Estamos juntas, menina
Te quero viva
A gente brilha, menina
Estamos vivas
Ninguém apaga, menina
Mulheres vivas
Movimento que cresce
O levante é original de São Paulo, mas chega ao Rio através do bloco Quizomba, que embora desfile na capital há 25 anos, também possui cortejo no carnaval paulista desde 2011. Com uma bateria composta por 65% de mulheres, o bloco se tornou um reduto natural de fortalecimento das pautas de gênero, embora não deixe de abordar outras temáticas.
Neste ano, o enredo do bloco é ambiental: "Verde que te quero ver". Mas segundo Andre Schmidt, fundador do Quizomba, isso não impede que o cortejo abrace a campanha contra o feminicídio. A concentração para o desfile, que espera reunir 40 mil pessoas, começa às 8h, com o início previsto para as 9h.
— O Quizomba sempre esteve engajado com temas sociais relevantes. Para gente, carnaval também é espaço para refletir. Neste ano, vamos falar de sustentabilidade, mas vamos abraçar a campanha do levante, porque além de ser uma campanha importante, nosso bloco é formado majoritariamente por mulheres — revela Andre Schmidt.
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O Quizomba é integrante da Liga Amigos do Zé Pereira, que reúne alguns dos principais blocos do carnaval carioca. Entre eles, o megabloco Cordão da Bola Preta, que desfila para aproximadamente 700 mil foliões e que também já aderiu o movimento para o carnaval 2026. Neste ano, a concentração está marcada para 7h no Circuito de Blocos de rua Preta Gil, no Centro.
Outras ações
As secretarias de estado da mulher e de turismo também estarão atuando em campanhas ao longo deste carnaval. Um acordo de cooperação técnica com a Livre de Assédio, o SindRio e a Abrasel, foi realizado para este ano. O objetivo é aumentar a capacitação de profissionais que atuam em bares, hotéis e espaços de eventos para acolher e proteger possíveis vítimas de violência de gênero.
Além do carnaval de rua, a secretaria de estado da mulher do Rio também estará presente na Marquês de Sapucaí com a campanha "Não é Não! Respeite a decisão". Equipes distribuem materiais informativos com orientações como locais de acolhimento e telefones para denúncias em casos de agressão física, ameaças, abuso psicológico, moral, patrimonial, físico e sexual.
A Sem-RJ ainda firmou parceria com as agremiações da Série Ouro e Grupo Especial, e vem participando dos ensaios de rua e de quadra das escolas de samba.
As campanhas também orientam as mulheres a baixarem o app Rede Mulher, que possibilita acionar o botão de emergência, ligado diretamente à Central 190 da Polícia Militar, fazer um registro de ocorrência online, solicitar medida protetiva, consultar a lista de centros de atendimento à mulher em todo o estado e registrar “guardiões” (até três pessoas que são alertadas em situação de emergência). O aplicativo pode funcionar em modo camuflado, para evitar que o possível agressor veja e impeça um pedido de socorro, e está disponível em inglês e espanhol.
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