'Grande Sertão: Veredas', clássico de Guimarães Rosa, ganha adaptação teatral de alunos da UFPA
A temporada do espetáculo “Grande Sertão: Veredas”, adaptação cênica do romance de João Guimarães Rosa, segue em cartaz em Belém. Alunos do 1º ano do Curso Técnico em Teatro da Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará (UFPA) realizam as últimas apresentações nos dias 7 e 8 de março, no Casarão do Boneco.
A montagem é inspirada no romance publicado em 1956, que narra a jornada de Riobaldo, um ex-jagunço. Ele revisita conflitos entre bandos rivais, dilemas morais e seu relacionamento com Diadorim, enquanto reflete sobre escolhas, destino e os limites entre o bem e o mal.
Desafio de interpretar o jagunço Hermógenes
A atriz Inngryday Carvalho, que dá vida a Hermógenes, destaca a complexidade do papel e do texto. “Interpretar Hermógenes é um desafio e tanto, não só pela complexidade da escrita de Guimarães Rosa, mas também pela profundidade e complexidade do próprio personagem. Meu primeiro ano na Escola de Teatro e Dança da UFPA está sendo desafiador”, afirma ela.
A atriz complementa que “Hermógenes é a representação do mal. Um homem movido por vingança e sangue frio, o que o torna um personagem extremamente difícil de interpretar”.
Adaptação complexa da obra para o palco
A direção da peça é assinada por Larissa Latif e Karine Jansen, com assistência de Dani Cascaes. Lennon Bendelak é o responsável pela dramaturgia, adaptando o romance para o palco, além de cuidar da preparação corporal do elenco. Larissa Latif também conduz a preparação vocal.
Larissa Latif ressalta que o processo de adaptação exigiu escolhas estratégicas. “Adaptar Grande Sertão para o teatro, por si só, já foi um grande desafio. A obra é monumental, então, tivemos que fazer escolhas estratégicas, nem sempre fáceis, para traduzir para a forma dramática a narrativa de Rosa, que é densa, inovadora, não linear”, explica. Ela acrescenta que “A opção da rua teve a ver com um conjunto de opções e inspirações. Primeiro, queríamos as perspectivas diferentes em cena, a de Diadorim e a de Hermógenes, mostrar como a história teria sido vivida por um e por outro, seus pontos de partida, suas trajetórias singulares dentro do mundo em comum do cangaço”.
Produção técnica envolve diversos cursos da UFPA
A produção conta com a expertise de formandos e professores da UFPA. A cenografia e os figurinos foram desenvolvidos por formandos do Curso Técnico de Figurino e Cenografia da Universidade Federal do Pará (UFPA). A coordenação da cenografia é do professor Paulo Ricardo Nascimento, enquanto a professora Ezia Neves coordena o figurino.
A equipe técnica inclui ainda a professora Iara Souza na coordenação de iluminação e Micheline Penaforte na coordenação de maquiagem e visagismo. O design gráfico é de Luis Carlos Monteiro, com a comunicação a cargo de Gabriel Anjos, Matheus Martins e Kadu Chaves.
Experiência imersiva e preparação do elenco
A proposta cênica inova ao prever o deslocamento do público durante a apresentação. Essa dinâmica permite que os espectadores escolham diferentes percursos e acompanhem perspectivas distintas da narrativa.
Lennon Bendelak detalha a preparação do elenco, que incluiu atividades físicas e exercícios de concentração. “A preparação dos atores envolveu a utilização de exercícios de concentração da atenção e atividades físicas, moderadas e intensas, praticadas antes de cada ensaio, para que os atores tivessem um corpo presente e em prontidão para a cena durante todo o espetáculo, especialmente o bando que acontece na praça Amazonas, pois o teatro de rua demanda mais energia de quem atua”, explica.
Serviço
Espetáculo: Grande Sertão: Veredas
Local: Casarão do Boneco — Av. 16 de Novembro, 815, Belém (PA)
Datas: 7 e 8 de março (últimas apresentações da semana)
Horários: Quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h
Ingressos: Inteira a R$ 20 e meia a R$ 10
