Os dois senadores eleitos por Goiás nas eleições de 2026, Gracinha Caiado (UB) e Gustavo Gayer (PL), se manifestaram publicamente sobre a prorrogação do horário de votação no segundo turno, neste domingo (25). Gracinha afirmou que a decisão de Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), “exige explicações urgentes ao povo brasileiro”.
Ela classificou a medida como monocrática, ou seja, tomada por um único ministro, sem passar pelo colegiado. A ex-primeira-dama argumentou que a prorrogação só foi divulgada quando o encerramento da votação já estava próximo, o que gerou dúvidas sobre como seria executada e se teria efeito prático.
“É legítimo perguntar por que uma decisão dessa dimensão foi tomada tão perto do encerramento da votação, por que o TSE, que é o órgão responsável pelo processo eleitoral no Brasil, não foi consultado, ou mesmo por que não se aguardou a decisão do presidente Kassio Nunes Marques”, disse.
Para Gracinha, a escolha do presidente da República não admite “improviso, insegurança ou falta de transparência”. “Garantir o direito ao voto é fundamental, mas garantir regras claras, tratamento igualitário e respeito à vontade popular também é”, completou, ao defender que a confiança nas eleições precisa ser construída.
Gustavo Gayer, um dos políticos goianos que mais se engajaram na campanha de Flávio Bolsonaro (PL), adotou um tom bem mais duro. O senador eleito chamou Zanin de “advogado do Lula, que ele colocou no STF, seu amigo pessoal” e disse que o ministro “passou por cima” do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Não é possível que fez isso”, afirmou, lembrando que muitas urnas já haviam sido fechadas quando a prorrogação foi anunciada. Gayer também questionou por que a decisão valeu para todo o país “se a reclamação foi apenas em Salvador e um outro estado”.
O senador eleito foi além e sugeriu que Zanin estaria criando um cenário “ou para anular as eleições, ou dar tempo suficiente para alguma falcatrua acontecer”. Não há qualquer elemento que sustente a afirmação.
Ao contrário do que afirmou Gayer, o Ministério da Justiça identificou falhas na oferta de ônibus a eleitores em oito estados: Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas, Rio de Janeiro e Paraíba. Os dados vêm do Ministério Público Eleitoral, de agências reguladoras estaduais e de gestores do transporte público.
Salvador foi a cidade mais citada porque a frota circulou com menos da metade do previsto. A própria campanha de Flávio Bolsonaro também pediu ao TSE que a votação fosse estendida até as 19h, embora com outro argumento: a ampliação seria restrita a locais atingidos por chuvas fortes, alagamentos e falta de energia.
A lista incluía Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Os pedidos da campanha de Lula haviam sido encaminhados um pouco antes a Kassio Nunes Marques, presidente do TSE.
Às 15h44, ele já havia informado que avaliava as solicitações. Às 16h32, a demanda chegou também ao STF, onde Zanin foi sorteado relator.
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