GP da China será o segundo teste da nova era da F1; mudanças podem ser feitas após reunião com pilotos

 

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A Fórmula 1 desembarca na China neste fim de semana sob a desconfiança do novo regulamento, que não deixou boas impressões após a estreia da temporada em Melbourne, na Austrália. A sensação de artificialidade pairou no ar graças à necessidade de redução de velocidade para gerenciar a bateria — hoje a parte elétrica corresponde a quase 50% da potência do motor. Por isso, o circuito internacional de Xangai terá seus dados observados para possíveis ajustes nas regras.

Inclusive, uma reunião dos pilotos para discutir os novos regulamentos, que estava prevista para depois do GP do Japão, no fim do mês, foi antecipada. Segundo o The Guardian, o encontro deve ocorrer em Xangai e já pode gerar ajustes antes mesmo da corrida japonesa.

—Tive conversas com a F1 e com a FIA e acho que estamos trabalhando em algo, e espero que isso melhore tudo — disse Max Verstappen, da Red Bull.

A pista chinesa dará informações diferentes às de Albert Park na semana passada. Apesar da longuíssima reta dos boxes, o circuito tem muitos pontos de frenagem, aumentando as zonas de recarga da bateria e permitindo aos pilotos o uso do teto de 9 Megajaules (quantidade máxima de energia elétrica que o sistema híbrido pode recuperar por volta) na classificação. Além disso, terá mais dados disponíveis, pois haverá a primeira corrida sprint do ano, amanhã, a partir de meia-noite. A classificação será às 4h. O Sportv transmite.

O que se viu na Austrália foram pilotos tendo que gerenciar a energia volta a volta com muita perda de velocidade e, consequentemente, baixo desempenho. Isso explica a constante troca de posições entre George Russell e Charles Leclerc nas primeiras voltas e no pelotão intermediário. Algo considerado artificial pelos pilotos, pois não foram a tocada agressiva ou a escolha acertada do momento da freada os responsáveis pelos ganhos de posições. Segundo a F1, o número de ultrapassagens em Melbourne foi três vezes maior do que da corrida de 2025.

Charles Leclerc, George Russell e Lewis Hamilton no GP da Austrália

Martin KEEP / AFP

Verstappen é o mais crítico ao novo regulamento. Ao ser perguntado se os simuladores podem ajudar os pilotos a entender melhor o novo carro, ele ironizou, dizendo que jogar Mario Kart tem sido mais promissor.

— Encontrei uma solução mais barata. Troquei o simulador pelo meu Nintendo Switch e estou praticando um pouco de Mario Kart. Encontrar os cogumelos está indo muito bem. A concha azul é um pouco mais difícil, mas estou trabalhando nisso. O foguete? Ainda não cheguei lá — disse o holandês, que terminou em sexto lugar na estreia.

A sensação de todos, porém, é que, estabelecido o ritmo da prova, as chances de ultrapassagem não serão grandes devido à necessidade de controlar a recarga da bateria.

Independentemente das novas regras, a primeira corrida do ano ratificou as impressões deixadas na pré-temporada. Houve uma inversão de forças em relação ao ano passado. Mercedes e Ferrari encontraram os melhores ajustes do carro sob o regulamento atual, enquanto McLaren e Red Bull, campeã e vice de construtores de 2025, ficaram para trás.

Neste fim de semana, a escuderia alemã segue como favorita a colocar seus dois pilotos (Russel e Kimi Antonelli) no pódio. A equipe italiana também deve levar vantagem em relação às demais concorrentes, mas precisa ajustar suas estratégias. Na Austrália, Leclerc e Lewis Hamilton ficaram para trás após a decisão do time em não mandá-los aos boxes após a entrada do safety car virtual.

Para o Japão, a Ferrari promete inovações para reduzir a distância em relação à Mercedes.

—É ótimo ver que a equipe está lutando, está pressionando, está perseguindo melhorias, realmente trabalhando horas extras na fábrica para trazer atualizações — disse o heptacampeão mundial.