Governos Lula e Trump realizam primeiras reuniões sobre tarifas mais de 10 dias após encontro na Casa Branca
Pouco mais de 10 dias após a conversa direta entre os presidentes Lula e Donald Trump na Casa Branca, nos Estados Unidos, houve a primeira reunião entre os dois governos para tratar sobre as tarifas e relações comerciais.
O anúncio foi feito pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em publicação nas redes sociais pela conta oficial da representação comercial.
Segundo ele, houve uma reunião virtual com o ministrodo Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Fernando Elias Rosa, 'para dar seguimento à reunião de 7 de maio entre o Presidente Trump e o Presidente Lula na Casa Branca'.
'Saúdo o engajamento construtivo do Brasil para progredir em questões comerciais e aguardo com expectativa discussões contínuas', completa o texto.
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Anteriormente nessa terça-feira (19), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reuniu com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, para debater as tarifas, minerais críticos e mais
Após o encontro, o presidente Lula falou que ele e Trump definiram um período de 30 dias para cada um dos países mostrar seus dados sobre os comércios de cada um dos países para uma definição do que realizar e de uma retomada mais profunda no comércio dos países.
Lula diz ao Washington Post que boa relação com Trump pode evitar novas tarifas ao Brasil
Lula e Donald Trump em encontro na Casa Branca, em maio de 2026
Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que uma boa relação pessoal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ajudar o Brasil a evitar novas tarifas e sanções comerciais. A declaração foi dada em entrevista publicada neste domingo (17) pelo jornal The Washington Post, a primeira concedida por Lula a um veículo internacional desde a reunião entre os dois líderes na Casa Branca, no dia 7.
Na entrevista, Lula afirmou que as divergências políticas entre ele e Trump não interferem na relação entre os dois chefes de Estado. Segundo o presidente brasileiro, o republicano sabe que ele discorda da guerra com o Irã, da intervenção americana na Venezuela e condena o que classificou como “genocídio” na Palestina, mas que essas diferenças não impedem o diálogo institucional. Lula disse ainda que espera ser tratado com respeito pelos Estados Unidos e reconhecido como o presidente democraticamente eleito do Brasil.
O petista também afirmou ao jornal que a aproximação com Trump pode contribuir para atrair investimentos americanos ao Brasil e fortalecer o respeito à democracia brasileira. O Washington Post destacou que Lula tenta construir uma relação pragmática com o presidente americano, em contraste com o alinhamento ideológico adotado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante o mandato anterior de Trump.
Lula afirmou ainda que jamais pediria a Trump para deixar de gostar de Bolsonaro e disse não precisar fazer esforço para que o presidente americano saiba que ele é “melhor” que o ex-presidente brasileiro. Segundo o petista, Trump já teria essa percepção.
Na entrevista, Lula também defendeu que os Estados Unidos passem a tratar a América Latina como parceira, e não como alvo de pressão política e econômica. O presidente citou ainda o crescimento da relação comercial entre Brasil e China, afirmando que o volume de comércio com os chineses já supera o registrado entre brasileiros e americanos.
