Governo vê Flávio como candidato consolidado após pesquisa mostrar redução da vantagem de Lula
Integrantes do governo federal e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizem ver cristalizado nos dados da pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira o cenário eleitoral de polarização entre o petista e o indicado por Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A redução da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, de 7 pontos percentuais para 5, não é vista como preocupante por ser uma oscilação dentro da margem de erro.
Aliados do presidente dizem que ainda é cedo para que pautas positivas para o governo, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda (IR) e o programa Gás do Povo, surtam efeito nas intenções de voto de Lula.
— Vejo que não há espaço para candidatos de terceira via e que o nome do Tarcísio como candidato foi inviabilizado. Isso consolida a polarização entre Lula e o nome da família Bolsonaro. Não é ruim para o nosso campo político — diz o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que deixou a liderança do PT na Câmara neste mês.
— Cada vez mais, outros vão perceber que não existe espaço para a construção de um nome alternativo (à polarização). E, até 4 de abril (prazo para a desincompatibilização de quem ocupa cargo público e vai disputar as eleições), vão crescer as disputas internas e as tentativas no Centrão de explodir a candidatura de Flávio — afirma Farias.
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Outro aliado do governo com trânsito no Palácio do Planalto vê como baixa a possibilidade de que o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), dispute a presidência, visto que hoje é um favorito para a eleição ao Senado no estado.
O governador é o nome da chamada terceira via com o melhor desempenho na pesquisa Quaest: chega a 8% no cenário com Lula, Flávio e Romeu Zema (Novo), que pontuam 35%, 29% e 4%, respectivamente.
No governo, a avaliação é que os efeitos da isenção ampliada do IR na avaliação do governo devem ser sentidos nos próximos meses, uma vez que os descontos do imposto retido na fonte deixaram de ser feitos apenas no mês passado.
Outra impressão no Planalto é que, com uma terceira via desidratada, há maior chance para atrair alianças do Centrão não entusiasmadas com a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Ex-presidente da Câmara e líder da maioria na Casa, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) diz que a pesquisa mostra o favoritismo de Lula, mas pontua que a eleição não está ganha e será disputada.
— Haverá um alto componente de disputa ideológica nas eleições. Lula faz ótimo governo do ponto de vista de conquistas para as famílias, mesmo que a isenção do IR ainda não tenha surtido o efeito (nas eleições). Bolsonaro e a direita tentam o tempo todo atribuir valores que não são nossos. Vai ter debate, campanha e denúncia pela frente. O telhado de vidro de Flávio Bolsonaro é imenso e isso vai ser recuperado na campanha — afirma.
Chinaglia diz ainda que é o momento de aproveitar o favoritismo para ampliar o arco de alianças partidárias.
O deputado Jilmar Tatto (PT-SP), vice-líder do governo na Câmara, afirma que a pesquisa Quaest mostra que o país "está polarizado e não cabe para uma candidatura de centro".
— Tarcísio (de Freitas, governador de São Paulo) deixou de ser candidato e Ratinho Júnior provavelmente não disputar a presidência. A tendência é que o presidente Lula consiga atrair boa parte do Centrão para a candidatura dele ou para a a neutralidade na disputa — afirma o petista: — É importante ter entregas e o governo tem, mas não é mais o que define. A eleição será sobre posicionamento político e dialogar com a população.
