Governo Trump reclama de ataques israelenses ao abastacimento de combustível iraniano, diz site
O governo dos Estados Unidos reclamou nos bastidores ao de Israel pelos ataques a 30 depósitos de combustível iranianos no final de semana. Segundo os americanos, os bombardeios foram maiores que o esperado, enquanto os israelenses defendem que isso foi notificado com antecedência.
As informações são do site de notícias de bastidores Axios, que destaca como o governo Trump teme que ataques à infraestrutura que serve aos iranianos comuns possam ter um efeito contrário ao desejado, mobilizando a sociedade iraniana em apoio ao regime e elevando os preços do petróleo.
Os ataques aéreos israelenses de sábado (7) provocaram grandes incêndios em Teerã, com chamas visíveis a quilômetros de distância e uma densa camada de fumaça sobre a capital. Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel afirmaram que os depósitos de combustível 'são usados pelo regime iraniano para abastecer diversos consumidores, incluindo seus órgãos militares'.
Autoridades israelenses reveleram que as Forças de Defesa de Israel notificaram os militares dos EUA antes dos ataques. Só que o espanto americano foi a abrangência dos bombardeios.
Embora as instalações atingidas não sejam de produção de petróleo, as autoridades americanas temem que as imagens dos depósitos em chamas possam assustar os mercados de petróleo e elevar ainda mais os preços da energia.
'O presidente não gosta do ataque. Ele quer preservar o petróleo. Ele não quer queimá-lo. E isso lembra as pessoas dos preços mais altos da gasolina', disse um assessor de Trump ao Axios.
O porta-voz do quartel-general iraniano Khatam al-Anbiya, que supervisiona as operações militares, alertou que, se os ataques à infraestrutura petrolífera do Irã continuarem, o governo do país poderá responder com ataques semelhantes em toda a região.
Ele acrescentou que o Irã até agora não teve como alvo a infraestrutura regional de combustíveis e energia e ameaçou que, se o Irã o fizer, os preços do petróleo poderão chegar a US$ 200 por barril.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, um dos mais altos funcionários do regime, alertou que, se os ataques à infraestrutura continuarem, o Irã retaliará 'sem demora'.
Novo líder supremo do Irã
Mojtaba Khamenei é escolhido para suceder o pai.
Reprodução
A Assembleia de Especialistas do Irã nomeou o filho do aiatolá Ali Khamenei como o novo líder supremo do país. O órgão convocou o povo iraniano a manter a unidade e jurar lealdade ao novo líder.
Ali Khamenei estava no poder desde 1989 e foi morto em um bombardeio conduzido por Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro. Mojtaba Khamenei, de 56 anos, é considerado um representante da linha dura e por laços estreitos com a elite da Guarda Revolucionária do Irã.
Segundo a imprensa iraniana, Mojtaba também perdeu recentemente a mãe, a esposa e um filho pequeno nos ataques.
Nos últimos dias, o Exército israelense atacou um prédio ligado à Assembleia de Peritos durante uma reunião de aiatolás para definir o novo líder supremo do Irã.
Antes do anúncio do novo líder supremo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez novas ameaças e afirmou que o sucessor de Ali Khamenei "não vai durar muito" se não tiver a aprovação americana.
Na madrugada de domingo, Israel atacou depósitos de combustível em Teerã, capital do Irã, provocando um grande incêndio e deixando quatro mortos.
A ofensiva, que fez com que a distribuição de combustível em Teerã fosse interrompida, também causou densas nuvens de fumaça e chuvas com óleo na manhã de domingo, horas depois dos ataques a instalações petrolíferas e refinarias.
A Cruz Vermelha recomendou que as pessoas permanecessem em casa mesmo após a chuva parar, afirmando que o ar poderia se tornar perigoso para respirar.
Israel também realizou um ataque no Líbano: ao menos quatro pessoas morreram em um hotel no centro da capital, Beirute, informou a agência Reuters.
As forças armadas israelenses afirmaram que os alvos eram comandantes da unidade de elite da Guarda Revolucionária do Irã, que estariam operando a partir do Líbano.
Este é o primeiro ataque israelense a Beirute desde que a tensão entre o país e o grupo extremista Hezbollah voltaram a crescer nos últimos dias.
Enquanto isso, países em todo o Golfo Pérsico relataram uma nova onda de ataques com drones e mísseis.
O Exército do Kuwait informou que o Aeroporto Internacional do país foi atacado, e que estilhaços e destroços danificaram parte da infraestrutura.
No Bahrein, o Ministério do Interior informou que três pessoas ficaram feridas e uma usina de dessalinização de água foi atingida.
Destruição em Teerã, no Irã, após ataque de Israel.
AFP
