Governo Trump processa New York Times por suposta discriminação contra funcionário branco
A Equal Employment Opportunity Commission (Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego) entrou com uma ação federal de direitos civis contra o The New York Times, acusando o veículo de adotar “práticas ilegais de emprego” e discriminar um funcionário branco que não obteve uma promoção disputada. O processo foi apresentado nesta terça-feira no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York.
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Segundo a ação, as “metas declaradas de representação baseadas em raça e sexo” do jornal “influenciaram a decisão de não avançar” a candidatura do funcionário para o cargo de editor adjunto de imóveis em 2025.
“O New York Times rejeita categoricamente as alegações politicamente motivadas apresentadas pela E.E.O.C. da administração Trump”, afirmou Danielle Rhoades Ha, porta-voz do jornal. “Nossas práticas de emprego são baseadas em mérito e focadas em recrutar e promover os melhores talentos do mundo. Vamos nos defender vigorosamente.”
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O processo é resultado de uma rápida escalada de uma investigação iniciada no ano passado, quando o funcionário apresentou uma queixa à comissão em Nova York. De acordo com a ação, o trabalhador, que não foi identificado, atuava como editor desde 2014 e se candidatou à vaga em 2025.
A denúncia cita relatórios recentes de diversidade e inclusão do jornal, incluindo um “Chamado à Ação” de 2021 que estabelecia metas para aumentar o número de funcionários negros e latinos. Segundo o documento, esses relatórios “detalhavam os esforços explícitos do NYT para tomar decisões de emprego com base em raça e sexo para alcançar seus objetivos demográficos desejados”. “Uma diminuição na porcentagem de homens brancos (seja entre novas contratações, funcionários atuais ou cargos de liderança, conforme apropriado) foi uma consequência necessária para que o NYT alcançasse esses resultados.”
A ação também menciona trocas de mensagens na plataforma Slack entre líderes da redação sobre tendências de diversidade nas contratações, além de comunicações internas relacionadas ao processo seletivo. Segundo a denúncia, o funcionário foi entrevistado, mas não avançou para a etapa de painel.
“Os quatro candidatos que avançaram para a fase de entrevista em painel correspondiam às características de raça e/ou sexo que o NYT buscava aumentar em sua liderança”, afirma o processo. Ainda de acordo com o texto, o grupo final era composto por “uma mulher branca, um homem negro, uma mulher asiática e uma mulher multirracial”. A denúncia sustenta que o funcionário branco era mais qualificado do que a pessoa escolhida.
A porta-voz do jornal afirmou que a investigação da comissão “se desviou de sua prática padrão”. “A alegação se concentra em uma única decisão de pessoal entre mais de 100 cargos de adjunto na redação, mas o processo da E.E.O.C. faz afirmações amplas que ignoram os fatos para se encaixar em uma narrativa predeterminada”, disse. “Nem raça nem gênero desempenharam papel nessa decisão — contratamos a candidata mais qualificada, e ela é uma excelente editora.”
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A E.E.O.C., responsável por aplicar as leis federais de direitos civis no ambiente de trabalho, tem atuado, sob a nova gestão do presidente Donald Trump, em casos alinhados às prioridades políticas do governo, incluindo questionamentos a programas de diversidade que, segundo seus dirigentes, podem discriminar homens brancos.
Após meses de investigação, a comissão iniciou em abril um processo de “conciliação”, descrito como uma mediação voluntária. Em 21 de abril, porém, interrompeu as negociações e encaminhou o caso para possível ação judicial. Segundo a denúncia, o jornal não apresentou uma solução aceitável.
O processo pede indenização, incluindo pagamento retroativo ao funcionário, e solicita que o New York Times deixe de “discriminar funcionários com base em raça ou sexo” e “elimine os efeitos de suas práticas ilegais de emprego, passadas e presentes”.
A ação ocorre em meio a uma ofensiva mais ampla do governo Trump contra organizações que considera hostis, incluindo empresas de mídia. Na semana passada, reguladores determinaram a revisão de licenças de emissoras da ABC após investigação sobre políticas de diversidade da rede.
