Governo Trump muda radicalmente posição em relação ao tratamento do autismo por 'evidências insuficientes'

 

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O governo de Donald Trump deu uma guinada nesta terça-feira em relação a um tratamento para autismo que havia promovido com grande alarde. Em setembro, a agência havia anunciado que aprovaria o uso de um medicamento chamado leucovorina – vitamina B9 sintética – para tratar a doença. Mas, nesta terça-feira, a Food and Drug Administration (FDA) recuou, alegando evidências insuficientes de que o medicamento funcione para essa condição.

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O anúncio inicial partiu do Secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., que durante décadas difundiu alegações refutadas de que as vacinas causam autismo. Kennedy promoveu o leucovorin, geralmente usado para aliviar os efeitos colaterais da quimioterapia, como uma "terapia empolgante" que poderia ajudar crianças com autismo, um transtorno cujos sintomas variam amplamente em um espectro.

"Isso dá esperança a muitos pais de crianças autistas de que talvez seja possível melhorar suas vidas", disse o presidente Donald Trump em setembro, em uma coletiva de imprensa.

No evento, ele deu conselhos generalistas e sem fundamento sobre autismo, como insistir que mulheres grávidas deveriam "aguentar firme" e evitar o Tylenol devido a uma suposta ligação não comprovada com o autismo — declarações duramente criticadas por cientistas.

Estudos realizados com um pequeno número de pacientes sugeriram que a ingestão de leucovorina pode ajudar a aliviar alguns problemas de comunicação ou de relacionamento pessoal associados ao autismo, mas especialistas afirmam que essa questão precisa de mais estudos.

Nesta terça-feira, a FDA afirmou que estava, de fato, aprovando o uso de leucovorina para uma condição rara chamada deficiência de folato cerebral, mas não para o autismo. A promoção do programa para o autismo por parte do governo Trump corria o risco de gerar falsas esperanças, disseram dezenas de especialistas em autismo em uma carta conjunta na época.

"Não temos dados suficientes para afirmar que poderíamos comprovar a eficácia para o autismo de forma mais ampla", disse um funcionário da FDA à NBC News. "Caberá aos pacientes conversar com seus médicos para ver se isso pode ser adequado para eles", disse o funcionário, cujo nome não foi divulgado.