Governo Trump indiciou Raúl Castro em aniversário do dia da independência de Cuba dos EUA
O governo dos Estados Unidos decidiu indiciar o ex-presidente de Cuba Raúl Castro e outros militares pelo ataque contra dois aviões americanos na década de 1990. A data escolhida nessa quarta-feira, 20 de maio, é marcante para o país.
Foi nela que, em 1902, a ocupação militar dos EUA foi finalizada e Cuba, então, se tornou formalmente uma república. Isso ocorreu depois da guerra hispano-americana.
A data, no entanto, não foi considerada das mais positivas. Isso porque, mesmo como um Estado soberano agora, o governo cubano tinha uma emenda determinada pelos Estados Unidos com o direito de intervir militarmente, além de ter a base naval em Guantánamo, que possui até os dias de hoje.
O regime cubano considera que a independência do país nasceu apenas em 1959, com a revolução cubana, liderada pelo próprio Raúl, seu irmão Fidel Castro e Ernesto 'Che' Guevara.
Depois da mudança para um regime socialista, a data de 20 de maio foi retirada das celebrações oficiais já que não representava uma independência total, que teria ocorrido depois do processo revolucionário apenas, segundo eles.
Entenda a acusação contra Raúl Castro
Membros das forças armadas seguram imagens do ex-presidente cubano Raúl Castro e do falecido líder cubano Fidel Castro.
YAMIL LAGE / AFP
A Justiça dos Estados Unidos acusou criminalmente o ex-presidente cubano Raúl Castro por assassinato e conspiração. O indiciamento foi anunciado em Miami pelo chefe do Departamento de Justiça, Todd Blanche.
O irmão de Fidel Castro, que hoje tem 94 anos e era ministro da Defesa na época dos fatos, é responsabilizado pelo abate de dois aviões civis americanos por caças cubanos em 1996. Quatro pessoas morreram no episódio.
As duas aeronaves de pequeno porte haviam decolado de Miami e pertenciam a uma organização de exilados cubanos que costumava sobrevoar a região para lançar panfletos contra o regime comunista.
Em meio ao aumento das tensões, chegou nesta quarta-feira ao Caribe o porta-aviões dos Estados Unidos USS Nimitz.
Apesar da forte pressão do governo americano para forçar uma mudança de regime em Havana, Donald Trump negou que a medida vá provocar uma escalada de violência ou um conflito armado na região.
No dia em que a comunidade de exilados comemorou a independência de Cuba, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, mandou um recado direto aos moradores da ilha.
Em um pronunciamento feito em espanhol, o chefe da diplomacia americana — que é filho de cubanos — ofereceu uma ajuda humanitária de 100 milhões de dólares e prometeu uma nova era nas relações bilaterais, caso o atual regime seja encerrado.
Em resposta às acusações, a Embaixada de Cuba nos Estados Unidos afirmou que Marco Rubio mentiu e que o governo americano está submetendo a nação insular à crueldade.
