O governo do presidente Donald Trump cortou ou congelou até US$ 177 bilhões em verbas federais de todos os 50 Estados americanos e do Distrito de Columbia desde o início de seu segundo mandato, mostrou um levantamento divulgado nesta quarta-feira pelo States United Democracy Center e pela Grant Witness, ao qual a Associated Press teve acesso.
Leia também: Corte dos EUA derrota Trump e preserva regras de votação pelo correio Aprovação de Trump sobe após mínima recorde, mas cenário piora para republicanos, diz pesquisa Juiz suspende restrições de Trump à validade de vistos de estudantes e jornalistas estrangeiros O valor retido equivale a quase 10% dos gastos discricionários federais, de acordo com as organizações, e afetou áreas como saúde, nutrição, meio ambiente e assistência em casos de desastres. Califórnia, Texas, Nova York, Illinois e Carolina do Norte registraram os maiores volumes de verbas interrompidas.
Entre os programas atingidos estão iniciativas de saúde materna em Michigan, pesquisas na área de educação no Mississippi e assistência a agricultores de minorias em Iowa. Os pesquisadores afirmam que a dimensão das interrupções supera os cortes normalmente observados durante as mudanças de governo.
Scott Delaney, cofundador do Grant Witness, disse em comunicado que o levantamento expõe claramente a dimensão do impacto das interrupções de financiamento promovidas pelo governo Trump ao reunir os dados em um banco verificado e de fácil acesso ao público chamado de “Lost Funds”.
“O Lost Funds mostra a dimensão extraordinária e o impacto humano concreto dessas interrupções, além de revelar como os Estados estão, mais uma vez, na linha de frente da proteção de seus moradores”, enfatizou na mesma linha Kelly Rader, diretora de pesquisa do States United Democracy Center.
Os dois grupos afirmaram que o levantamento utiliza dados oficiais do USASpending.gov, base pública de informações sobre gastos federais, e será atualizado regularmente à medida que o governo adotar novas medidas e os processos judiciais avançarem.
Parte dos cortes já foi contestada na Justiça americana, e tribunais decidiram contra o governo em alguns casos, informou a Associated Press. A agência de notícias entrou em contato com a Casa Branca, mas não obteve retorno.
Valor