Governo Trump barra aparelhos por chip de câmeras ligado à Huawei

Governo Trump barra aparelhos por chip de câmeras ligado à Huawei - Foto
Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

A Comissão Federal de Comunicações (FCC), agência americana que regula telecomunicações, bloqueou pela primeira vez dois aparelhos eletrônicos por carregarem o que o próprio órgão chama de “chips de vigilância estrangeira”. A decisão é do órgão presidido por Brendan Carr, e o componente banido equipa câmeras de segurança residenciais e câmeras de carro vendidas a preços baixos no mundo inteiro.

O chip alvo da decisão é o HiVision Hi3516CV610, um processador que transforma o sensor bruto de uma câmera em produto completo, de sistemas de monitoramento doméstico a câmeras veiculares. A FCC não informou quais dispositivos foram atingidos e não respondeu às perguntas da imprensa sobre o caso.

No dia 13 de outubro de 2026, a agência havia concedido a si mesma o poder de barrar qualquer equipamento que contenha um chip fabricado por empresa apontada como ameaça à segurança nacional em sua lista interna. O alvo declarado é a brecha que permitia produtos de companhias proibidas entrarem no país embutidos em aparelhos de terceiros, já que equipamentos novos da Huawei tinham autorização vedada desde novembro de 2022.

Sob Carr, o órgão já havia dado a si mesmo poderes para banir equipamentos de forma retroativa e para vetar transmissores de rádio modulares, além de proibir um roteador e um aspirador robô em episódios recentes. A diferença agora é o alcance, qualquer aparelho doméstico com um chip da lista pode ser o próximo.

A prova do risco é o rótulo do produto Para justificar o primeiro bloqueio, a FCC citou o material de venda do fabricante.

A agência explica que a HiVision anuncia o circuito como desenhado para o mercado de vigilância e equipado com algoritmos embutidos de detecção de rostos humanos, e lembra que a empresa é controlada pela Huawei. A decisão não apresenta um único caso de espionagem, de falha de segurança ou de vazamento de dados ligado ao componente.

A cobertura do site especializado The Verge, que teve pedidos de entrevista recusados, resume a conduta do regulador, escolher vencedores e perdedores enquanto encena a fiscalização. A Huawei contorna o cerco

A HiVision é subsidiária da Huawei, gigante chinês de telecomunicações que passou a incomodar Washington ao liderar o mercado mundial de equipamentos de rede e avançar sobre a tecnologia 5G. O Departamento de Comércio incluiu a companhia na lista de entidades restritas em maio de 2019, ainda no primeiro governo Trump.

Pressionadas pelo poder público, operadoras americanas haviam cortado em 2018 os acordos de venda dos smartphones da marca, e uma lei aprovada no ano seguinte vedou equipamentos da chinesa a operadoras rurais que recebem verba federal. O cerco, até aqui, não impediu a empresa de crescer.

O circuito proibido é vendido em kits que incluem até o sensor de imagem da Sony e, às vezes, a lente já montada, conforme listagens do AliExpress verificadas pela reportagem do The Verge. A família Hi3516 equipou por anos boa parte das câmeras genéricas que dominam o mercado popular em dezenas de países.

A Huawei nega espionagem desde o início das sanções, e avaliações de segurança mantidas por anos no Reino Unido não encontraram indício de comportamento malicioso no código da empresa. As restrições também não dobraram a companhia, que lançou em 2023 o smartphone Mate 60 Pro com chip avançado fabricado dentro da China e cresceu 22,4% em 2024, segundo seu balanço anual.

A conta vai para o consumidor O efeito prático do bloqueio é encarecer ou tirar do mercado americano as câmeras de segurança e as câmeras de carro mais baratas, o tipo de produto comprado em massa por consumidores comuns.

A FCC controla a porta de entrada legal de todo aparelho com rádio, Wi-Fi ou Bluetooth no país, e sem sua autorização nada chega à loja. Não é o primeiro preço do cerco.

Para trocar equipamentos Huawei e ZTE de redes rurais americanas, o governo montou um fundo de quase 5 bilhões de dólares, cerca de R$ 27 bilhões, mais que o dobro da verba inicial aprovada pelo Congresso. Câmeras das chinesas Hikvision e Dahua, concorrentes diretas das marcas ocidentais no mesmo mercado, já tinham sido banidas de prédios federais desde 2019.

O poder novo estende o tratamento a qualquer produto de consumo que leve um chip da lista. O presidente da FCC escreveu o capítulo de telecomunicações do Projeto 2025, o plano de direita que orienta o segundo governo Trump.

Em setembro de 2025, o mesmo Brendan Carr pressionou publicamente redes de televisão a tirarem do ar o programa do comediante Jimmy Kimmel, crítico do presidente, que só voltou ao ar após onda de protestos. A FCC não disse quais aparelhos foram banidos, quantos virão nem como um circuito que apenas transforma sensor em imagem ameaçaria o consumidor.

O método está na própria decisão, um produto barato e chinês se torna caso de segurança nacional pelo que anuncia o catálogo, e a fatura chega a quem pagava menos pela câmera.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →