Governo Trump articula instalação de 'anexo' permanente da CIA na Venezuela, diz imprensa americana
A CIA está trabalhando discretamente para estabelecer uma presença permanente dos Estados Unidos na Venezuela, liderando os planos do governo de Donald Trump após a captura do presidente agora deposto Nicolás Maduro em 3 de janeiro, informaram fontes à rede americana CNN. Segundo essas fontes, a agência de inteligência americana e o Departamento de Estado discutem como será essa presença no curto e no longo prazo, em meio à instabilidade política e de segurança no período pós-Maduro.
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A agência teria como objetivos preparar o terreno para esforços diplomáticos, construir relações locais e garantir a segurança. Segundo uma fonte familiarizada com o processo de planejamento, enquanto o Departamento de Estado "fincaria a bandeira", é a CIA quem exerceria a influência prática no país.
Segundo a reportagem, no curto prazo, autoridades americanas podem operar a partir de um "anexo" (como um "escritório") da CIA antes da abertura de uma embaixada no país. Esse espaço permitiria contatos informais com facções do governo, membros da oposição e serviços de inteligência venezuelanos, além de monitorar possíveis ameaças.
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— A criação de um anexo é a prioridade número um. Antes dos canais diplomáticos, o anexo pode ajudar a estabelecer canais de ligação, que serão com a inteligência venezuelana e permitirão conversas que os diplomatas não podem ter — disse à CNN um ex-funcionário do governo dos EUA que interagiu com os venezuelanos.
A CIA não respondeu a um pedido de comentário da emissora.
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O diretor da agência, John Ratcliffe, foi o primeiro alto funcionário do governo Trump a visitar a Venezuela após a queda de Maduro, reunindo-se com a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, e militares. A mensagem central de Ratcliffe foi que o país deveria se afastar de adversários dos Estados Unidos, como China, Rússia e Irã.
— Se for necessário informar a Venezuela sobre as preocupações relativas à China, Rússia e Irã, não será o Departamento de Estado que fará isso. O DNI (Escritório do Diretor de Inteligência Nacional) terá que decidir o que desclassificar para compartilhar, e então os agentes de inteligência farão o briefing — disse o ex-funcionário, explicando que a agência também deve liderar o compartilhamento de informações sobre esses países com dados previamente autorizados pelo setor de inteligência.
Apesar dos planos, autoridades americanas envolvidas com o processo afirmaram à emissora que ainda aguardam uma definição clara da Casa Branca sobre os objetivos mais amplos da missão na Venezuela, mesmo após a declaração de Trump de que seu governo "governaria" o país.
Segundo outra fonte ouvida pela reportagem, a falta de diretrizes concretas dificulta o trabalho das equipes. Mesmo assim, os EUA pretendem estabelecer uma presença no país antes de definir o propósito dessa atuação, deixando a formulação dos objetivos para um momento posterior, diz a fonte.
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Entre as incertezas está o cronograma para a reabertura da embaixada dos Estados Unidos em Caracas, fechada desde 2019. Desde então, a Unidade de Assuntos da Venezuela funciona a partir da embaixada americana em Bogotá, na Colômbia, com uma equipe reduzida responsável pelos assuntos venezuelanos.
Papel na captura de Maduro
A agência de espionagem americana, disseram fontes ao New York times, foi responsável pelas informações que levaram à captura de Maduro no início do mês, monitorando sua posição e movimentos com uma frota de drones furtivos que forneciam vigilância quase constante sobre a Venezuela, além das informações fornecidas por suas fontes venezuelanas.
A CIA tinha um grupo de agentes em solo venezuelano trabalhando clandestinamente desde agosto, de acordo com uma pessoa familiarizada com o trabalho da agência. Os agentes coletaram informações sobre o "padrão de vida" e os movimentos de Maduro.
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Não está claro como a CIA recrutou a fonte venezuelana que informou os americanos sobre a localização de Maduro. Mas ex-funcionários disseram que a agência foi claramente beneficiada pela recompensa de US$ 50 milhões (R$ 271 milhões) oferecida pelo governo americano por informações que levassem à captura de Maduro.
No entanto, embora a CIA tenha desempenhado um papel crucial no planejamento e na execução da missão, esta foi uma operação policial conduzida pelas forças de operações especiais das Forças Armadas dos EUA, e não uma operação realizada sob a autoridade da agência.
Com agências internacionais.
