‘Governo tem que coordenar sistema de segurança públicas’, diz ex-secretário sobre criação de novo ministério
O presidente Lula (PT) lançou o programa “Brasil Contra o Crime Organizado” nesta terça-feira (12). A iniciativa do governo federal é voltada ao enfrentamento das facções criminosas no país.
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Durante o evento no Palácio do Planalto, Lula reforçou que o governo só criará o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC da Segurança Pública pelo Senado, onde a proposta ainda está parada.
Em entrevista ao Ponto Final nesta terça-feira (12), durante o Viva Voz, com Vera Magalhães, o ex-secretário nacional de Segurança Pública e atual membro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Mario Sarrubbo, falou sobre a possibilidade de criação do Ministério da Segurança Pública. Para ele, o ministério é a melhor alternativa para o enfrentamento à violência e ao crime organizado.
“O governo federal tem um papel de coordenação e integração do sistema de segurança em todo o Brasil. Seria muito importante que tivéssemos esse ministério, com ministros que pudessem coordenar e dialogar com os estados e, a partir disso, promover uma integração do sistema de segurança pública. Disse ao presidente que não sei se o criaria agora, ao final de um mandato, mas penso que é essencial que seja criado”, disse.
Programa de combate ao crime organizado
O programa “Brasil Contra o Crime Organizado” prevê quatro eixos estratégicos: barrar a articulação financeira das facções, cortar a comunicação ilícita dos presos com bloqueio de sinais, aumentar o esclarecimento de homicídios e reduzir o poder de fogo combatendo o tráfico de armas.
Sarrubbo avalia os quatro pontos como “essenciais para uma resposta coordenada e articulada contra o crime organizado”:
“São importantíssimos. É uma boa notícia para quem é da área da segurança, a nossa expectativa é muito positiva. O que entusiasma também é que, além do programa em si, há verba”, complementou.
A medida prevê um investimento total de R$ 11 bilhões, sendo R$ 1 bilhão do Orçamento Federal e R$ 10 bilhões do BNDES.
No entanto, o ex-secretário nacional de Segurança Pública avalia que há uma “grande dificuldade” para o governo federal quanto à integração com os governos estaduais, bem como a adesão dos gestores.
“Esse projeto vir tarde já é uma questão grave, porque ele vem em momento pré-eleitoral, quando a política está aflorando e o debate está acirrado. Talvez prejudique o projeto do governo, porque muitos governadores estão dizendo que não precisam disso. Mas prefiro pensar que os gestores vão entender que será bom para a população e para a política”, disse.
Ouça a entrevista completa:
