Governo tem déficit de R$ 73,7 bi em março, maior da história para o mês, diz Tesouro
As contas do governo central, que englobam Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, registraram déficit primário de R$ 73,7 bilhões em março, segundo divulgado pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira. Este é o pior resultado para o mês registrado na série histórica iniciada em 1997.
No mesmo período do ano passado foi registrado um superávit de R$ 1,5 bilhão. No acumulado do primeiro trimestre, as contas do governo central atingiram um déficit de R$ 17,1 bilhões, ante um superávit de R$ 55 bilhões de janeiro a março de 2025.
O resultado foi composto pelo déficit conjunto de R$ 24,6 bilhões do Tesouro Nacional e Banco Central, frente a um déficit de R$ 49,2 bilhões da Previdência Social.
Os resultados das contas do governo são importantes para o cumprimento da meta fiscal, que neste ano é de um superávit fiscal de 0,5% do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões, com uma banda de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o superávit pode variar entre R$ 36,6 bilhões e R$ 109,8 bilhões.
Um fator que pode pressiona é o resultado neste mês foi o pagamento dos precatórios (dívidas adquiridas após a União perder causas na Justiça). Segundo o Tesouro, em 2026 esses pagamentos foram concentrados em março, ao contrário do ano passado, em que eles ocorreram principalmente em julho.
“Esse fator calendário impactou fortemente as rubricas de Sentenças Judiciais e Precatórios (+R$ 34,9 bilhões), de Benefícios Previdenciários (+R$ 28,6 bilhões) e de Pessoal e Encargos Sociais (+R$ 11,3 bilhões). A elevação nessas duas últimas rubricas, nas quais as sentenças judiciais responderam por cerca de 84% e 78% do aumento, respectivamente”, detalha o Tesouro.
