Governo saberá usar a reciprocidade no momento certo e vai apoiar setores afetados, diz Alckmin
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou, nesta quinta-feira (16), que a aplicação de tarifas por parte dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros é “descabida” e “injusta”.
Acrescentou, ainda, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai elaborar um programa de apoio aos setores afetados pela sobretaxa de 25%.
Em relação à Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso no ano passado, Alckmin disse que o governo saberá utilizá-la no “momento adequado”.
Na avaliação dele, os argumentos dos EUA partem de uma “base totalmente falsa” e sem justificativas.
Durante a fala, destacou que, mesmo com as sanções, o Brasil está batendo recorde de exportação.
Segundo ele, o país exportou recorde de US$ 184,8 bilhões no primeiro semestre, porque diversificou e abriu novos mercados para além do americano.
Na véspera, o governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
A medida resulta da investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana e passa a valer na próxima quarta-feira (22).
Em resposta, o governo brasileiro classificou o tarifaço como "um marco lastimável" nas relações bilaterais e informou que acionará os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso após o anúncio da primeira rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos no ano passado.
A Seção 301 é um instrumento previsto na Lei de Comércio dos EUA de 1974, que autoriza o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) a apurar práticas que, supostamente, prejudicam o comércio internacional americano.
A investigação contra o Brasil, feita nos termos da Seção 301, abrange um conjunto amplo de temas.
Entre os pontos citados estão, por exemplo, o Pix, a comercialização de produtos falsificados em centros populares como a Rua 25 de Março e alegações de restrições a redes sociais americanas.
Vice-Presidente da República, Geraldo Alckmin
Bruno Peres/Agência Brasil
