247 – O governo federal projeta um crescimento de aproximadamente 10% na capacidade brasileira de refino de petróleo até 2036, elevando o potencial de processamento das refinarias de 2,3 milhões para 2,5 milhões de barris por dia. A estimativa consta do Caderno de Refino e Infraestrutura de Abastecimento, divulgado nesta terça-feira (3) pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
O levantamento, que integra o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036, também prevê aumento das exportações brasileiras de petróleo e diminuição da dependência de importações de determinados combustíveis. Apesar da ampliação prevista na capacidade de processamento, o Brasil deverá continuar importando mais derivados de petróleo do que exporta ao longo da próxima década.
A expansão da infraestrutura nacional de refino deverá ser sustentada por projetos de investimento e modernização das instalações existentes. Entre as principais iniciativas consideradas estão a implantação do segundo trem de processamento da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e a integração operacional do Complexo Boaventura, no Rio de Janeiro.
O estudo também considera ampliações em outras refinarias e melhorias tecnológicas destinadas a aumentar a produtividade e a eficiência energética do setor. As projeções indicam que o crescimento da produção de petróleo deverá superar a ampliação da capacidade nacional de refino.
A Petrobras estima que a extração brasileira poderá atingir aproximadamente 4,9 milhões de barris por dia em 2036, com mais da metade desse volume destinada ao mercado internacional. Demanda por diesel deve crescer acima da produção brasileira
O óleo diesel aparece entre os principais desafios para o abastecimento nacional na próxima década. Segundo as estimativas apresentadas, a demanda brasileira pelo combustível deverá aumentar 19% até 2036, enquanto a produção doméstica terá crescimento projetado de 13%.
A diferença entre os dois indicadores mostra que a ampliação prevista na oferta nacional de diesel poderá ser insuficiente para acompanhar o avanço do consumo, mantendo a necessidade de importações. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, defendeu em setembro que a autossuficiência no refino de diesel seja contemplada no planejamento estratégico da estatal para o período de 2027 a 2031, conforme noticiado à época pela CNN Brasil.
A dirigente relacionou a busca pela autossuficiência às mudanças no ambiente geopolítico internacional, especialmente aos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, que ampliaram as preocupações com a segurança do abastecimento energético. A intenção da Petrobras de alcançar a autossuficiência no diesel, entretanto, não significa que esse resultado esteja assegurado.
As projeções de produção e consumo apresentadas para 2036 ainda apontam uma diferença entre a expansão da oferta interna e o crescimento esperado da demanda. Modernização das refinarias exigirá novos investimentos
Outro desafio identificado pelo governo envolve a substituição progressiva do diesel S500 pelo S10, combustível com menor concentração de enxofre. Essa mudança exige investimentos em infraestrutura industrial, incluindo unidades de hidrotratamento, hidroconversão e produção de hidrogênio.
Os processos são necessários para adequar os derivados às especificações de qualidade e ampliar a oferta de combustíveis com menor teor de enxofre. O planejamento energético também contempla melhorias na eficiência das refinarias e modernização das instalações, com o objetivo de elevar a capacidade de processamento e adequar a produção às características da demanda brasileira.
O Caderno de Refino e Infraestrutura de Abastecimento integra os estudos que orientam as projeções energéticas do país para os próximos dez anos. A consulta pública do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 permanece aberta até sexta-feira (6), permitindo a apresentação de contribuições antes da consolidação do planejamento.
Brasil 247