A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, exonerou nesta terça-feira (25) Amisadai Andrade da Silva da Secretaria de Turismo e Lazer.
A medida foi tomada no mesmo dia em que o Jornal da Record veiculou uma reportagem na qual afirma que a Polícia Federal (PF) investiga a atuação de uma suposta rede de perfis que receberia dinheiro público para atacar adversários políticos, incluindo o ex-prefeito de Recife João Campos (PSB), em um esquema que teria Amisadai na linha de frente.
A reportagem da Record mostra a gravação de uma reunião na qual Amisadai, que é servidor da Caixa Econômica Federal e estava cedido à secretária do governo Lyra, negocia ataques nas redes sociais.
Ele teria uma rede com mais de 300 perfis.
O conteúdo era disparado no perfil “Portal da Prefeitura”, que contava com mais de 300 mil seguidores.
O GLOBO localizou o perfil, mas ele aparecia como desativado na tarde desta quarta-feira.
— O governo do estado enxergou na gente, também.
A gente fez reunião no Palácio.
(A gestão) enxergou a gente como um canal, na época, para a gente tentar desidratar ele (Campos) — diz Amisadai na gravação.
Procurado pelo GLOBO, Amisadai não respondeu.
À Record, ele afirmou que não é mais sócio da empresa Portal Comunicação e Marketing LTDA, dona da página, desde setembro de 2024 e, por isso, não responde por atos praticados pelo veículo após sua saída.
Amisadai foi nomeado para um cargo no governo Lyra em novembro de 2024.
A reportagem da Record aponta que a empresa de publicidade tem contratos com a gestão estadual desde 2023 e recebeu mais de R$ 500 mil pelos serviços.
Reação nas redes
Campos reagiu nesta quarta-feira e afirmou que há mais de um ano vem “denunciando a existência de um gabinete do ódio que tem atacado a mim, meus aliados, minha família, minha esposa, de forma covarde, caluniosa, mentirosa, difamatória”.
— Quem senta na cadeira para governar Pernambuco não pode estar coordenando uma milícia digital — disse Campos em vídeo postado nas redes sociais.
O ex-prefeito do Recife também afirmou que seus advogados adotarão medidas sobre o caso.
Governo Lyra nega irregularidades
Em nota, o governo Lyra afirmou que a publicidade da gestão é executada exclusivamente mediante licitação.
A elaboração do plano de mídia e a seleção dos veículos, segundo a equipe da governadora, segue critérios técnicos de audiência, alcance e custo.
“Os valores destinados em 2026 ao veículo citado representam cerca de 0,3% do investimento permitido ao Estado em publicidade no período, distribuído entre dezenas de veículos.
Todos os pagamentos são precedidos de comprovação de veiculação e estão disponíveis no Portal da Transparência”, conclui a nota.
No ano passado, Lyra foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa (Alepe) para investigar suspeitas de irregularidades em serviços de publicidade do governo.
Também em 2025, o jornalista Manoel Pires Medeiros Neto, assessor especial da governadora, pediu exoneração após ser acusado pelo presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), de integrar uma “milícia digital” para atacar adversários.
