'Governo Lula não tem maioria no Congresso desde o primeiro dia', destaca cientista político
A decisão do Congresso de derrubar o veto de Lula ao PL da Dosimetria, além da rejeição de Jorge Messias ao cargo de ministro do STF, evidenciaram derrotas do governo em meio a uma semana de forte tensão política em Brasília.
Para o cientista político Alberto Carlos de Almeida, os episódios refletem um problema estrutural do governo na relação com o Congresso.
“Não é um problema conjuntural. O governo Lula não tem maioria desde o seu primeiro dia e precisa formar apoio caso a caso em cada votação”, afirmou.
Ele destaca que, diferentemente dos primeiros mandatos de Lula, quando havia uma coalizão sólida entre grandes partidos, o cenário atual exige concessões constantes.
“É um governo que não tem uma maioria sólida e, para vencer, precisa ceder muito”, completou, ressaltando ainda que mudanças institucionais, como o fortalecimento das emendas parlamentares, ampliaram a autonomia de deputados e senadores.
O cientista político também avalia que houve um desgaste específico na indicação de Jorge Messias, tanto por fatores políticos quanto simbólicos.
“A politização da escolha ficou muito nua e crua, e o Senado devolveu na mesma moeda”, disse.
Para ele, esse contexto amplia o papel do Judiciário nas disputas políticas, especialmente quando o governo recorre ao STF após derrotas no Legislativo. “Não consegue ganhar no voto na Câmara e no Senado, tenta ganhar no Judiciário, e isso torna o Supremo um ator político ainda mais visível”, concluiu.
