Governo interino do Rio prepara novas exonerações; secretarias ainda serão analisadas, diz secretário
Após o governador interino do Rio, Ricardo Couto, fazer um pente-fino no estado e demitir mais de 1600 funcionários em cargos públicos, as exonerações nas secretarias do estado devem seguir acontecendo. Em entrevista ao CBN Rio, o Secretário do Gabinete de Segurança Institucional do governo interino do Rio, Roberto Leão, afirmou que ainda há espaço para novas demissões, e que ainda há secretarias que não foram submetidas à análise do governo.
Segundo o secretário, o trabalho de auditoria será feito permanentemente, e as próprias secretárias fazem a análise dentro do próprio órgão.
"Sim. Com certeza há espaço (para novas exonerações). A auditoria, as análises são feitas de forma permanente, inclusive tem secretarias ainda que não foram ainda submetidas à análise. Como eu te falei, é uma resolução de uma atribuição conjunta da CGI e do GSI, a gente está fazendo secretaria por secretaria e isso, obviamente, que os secretários também estão fazendo o dever de casa deles, fazendo essa análise própria dentro dos seus órgãos. Mas, obviamente, são trabalhos permanentes, vão ser feitos ao longo do tempo, com certeza a gente vai fazendo esse ajuste na medida que for necessário".
O secretário explica que, após a publicação de um decreto que determina uma força-tarefa de auditoria nas contas do governo, a Controladoria Geral do Estado (CG) e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) fizeram uma resolução conjunta para identificar inconformidades no trabalho dos funcionários do estado.
"A gente fez os critérios objetivos para identificar servidores que estariam em desconformidade com a proposta da gestão, ou seja, a gente fez análise tanto de acesso como perfil de utilização. Eu estou me referindo a crachá, a ponto, a identificação no setor e a utilização do SEI, que hoje todos os procedimentos administrativos são feitos através do SEI. Então, seja de forma remota, no conhecido home office, seja presencial, o servidor necessariamente tem que logar na base SEI. Então, a gente fez essa análise objetiva. Então, quando a gente encontrou desconformidade nesses critérios, a gente tentou entender qual era o motivo pelo qual o servidor não estaria tendo ou acesso físico ou não estaria se utilizando do procedimento padrão, que é a utilização do SEI. Quando a gente não conseguiu entender uma justificativa razoável, a gente fez as exonerações".
Segundo o governo, a maior parte dos cortes não foram de funcionários concursados, e parte das pessoas sequer utilizava o sistema eletrônico oficial ou possuíam identificação oficial, o que provocou suspeitas de que muitos seriam funcionários fantasmas.
O governador interino tem seguido uma política de compliance que 'filtra' quem pode assumir os cargos comissionados. Leão explicou que o protocolo acontece porque as escolhas não podem ser feitas de forma aleatória, embora sejam de livre escolha.
"A gente quer o seguinte, de forma nenhuma, a gente quer inviabilizar as escolhas políticas, que fazem parte da administração. Mas, dentro dessas escolhas, tem que seguir parâmetros mínimos éticos, que salvaguardam a administração pública como um todo, porque, de uma forma bem clara, essas pessoas estão sendo pagas pela população. Então, assim, é necessário ter esse mínimo de cuidado na escolha das pessoas que estão a serviço da população".
Confira a entrevista completa:
