Governo explora críticas dos EUA ao Pix e amplia confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro

 

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As críticas do governo dos Estados Unidos ao sistema de pagamentos instantâneos Pix, incluídas em relatório comercial divulgado nesta semana, abriram uma nova frente de disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos prováveis adversários do petista na eleição presidencial.

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O documento foi publicado na terça pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e retoma pontos já levantados em outros relatórios sobre barreiras comerciais a produtos americanos e em investigações comerciais contra o Brasil.

De um lado, o governo federal busca reforçar a narrativa de defesa da soberania nacional, explorada como marca da gestão Lula 3 e considerada bandeira eleitoral, além de atribuir à família Bolsonaro a responsabilidade pelas tarifas comerciais impostas pelo governo Donald Trump ao Brasil e supostas interferências nas eleições brasileiras de outubro.

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Há uma avaliação do entorno de Lula que é preciso dar destaque à defesa da soberania e do Pix, que é uma ferramenta com amplo respaldo da sociedade brasileira.

Nesta semana, em reunião ministerial, Lula acusou Flávio de apelar a Trump pela interferência no pleito e citou a ida do senador à Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), um dos maiores eventos conservadores do mundo, como exemplo dessa estratégia.

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Em evento na Bahia nesta quinta-feira, o presidente da República voltou a defender o Pix e afirmou que o Brasil não pretende alterar o modelo. A fala ocorreu após o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, alertar o petista para incluir isso no discurso.

— Antes de ir embora, quero dizer que os Estados Unidos fizeram um relatório essa semana sobre o Pix e disseram que o Pix distorce o comércio internacional, porque acham que cria problema para a moeda deles. O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando para a sociedade brasileira — disse Lula.

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Além de Lula, outros integrantes do governo saíram em defesa do PIX como reação ao documento do governo americano. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, afirmou também nesta quinta que o governo brasilerio pretende “prestar todos os esclarecimentos” aos EUA após as novas críticas ao PIX.

— O Pix é um sucesso, você tem uma coisa que o mundo inteiro hoje acompanha, observa custo zero para o contribuinte. Para o consumidor e utilizando os meios digitais de forma impressionante, ou seja, apertou ali e já está feito o depósito. Não vejo nenhum problema em relação ao Pix. É só esclarecer —disse Alckmin.

Outros governistas usaram as redes sociais para ampliar a defesa do Pix, entre eles parlamentares e ministros do governo. O secretário nacional de comunicação do PT, Eden Valadares, diz que há uma busca pela unidade do discurso de aliados do petista, que deverá ser intensificada nas eleições.

– A busca por unidade de ação é um esforço da comunicação do PT e certamente será um dos objetivos da campanha de reeleição do presidente Lula. Queremos ter capacidade de resposta e também de pautar o debate de maneira mais unificada – afirma Valadares.

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Flávio Bolsonaro e aliados do senador, por sua vez, têm afirmado que o parlamentar, caso eleito, não irá acabar com o PIX e acusado o PT de tentar criar falsas narrativas para desgastar o pré-candidato.

Nesta quinta, Flávio publicou vídeo em seu perfil nas redes sociais afirmando que o “PT é especialista em mentir” e rejeitando qualquer possibilidade de modificar o PIX. O filmete simula perguntas e respostas feitas à inteligência artificial para mostrar que Flávio não tem planos de acabar com a ferramenta caso eleito.

Além disso, aliados do senador têm reforçando em publicações nas redes sociais que o mecanismo foi criado durante o governo Jair Bolsonaro (PL), numa tentativa de esvaziar protagonismo de Lula nessa pauta.

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O embate entre Flávio e Lula ocorre num momento em que o presidente apresenta maior rejeição ao seu governo, enquanto o senador aparece consolidado nas pesquisas de intenção de voto como adversário competitivo do petista.