Governo espera receita adicional de cerca de R$ 40 bi com petróleo em 2026, em cenário conservador

 

Fonte:


Em um cenário mais conservador, o governo Lula enxerga um aumento de arrecadação da ordem de R$ 40 bilhões neste ano por conta da alta petróleo. O número efetivo que será considerado no relatório bimestral de receitas e despesas ainda estava sendo fechado e pode ser diferente.

O certo é que a arrecadação já está subindo por conta da alta da commodity e deve ter um ganho relevante no ano. Uma ala do governo entende que o melhor nesse momento é trabalhar com projeções mais cautelosas no lado da arrecadação. Um dos motivos é evitar uma percepção ilusória de conforto fiscal, especialmente no Congresso, mas também no próprio governo.

O temor é de que haja uma leitura de que o governo teria folga arrecadatória, elevando pressões para o uso imediato desse dinheiro por alguns setores, como o agronegócio. Além disso, interlocutores destacam a necessidade de se considerar que o país tem uma meta fiscal que ainda é desafiadora mesmo com o incremento de receitas do petróleo e que é preciso considerar que o país pode precisar de novas ações para mitigar os impactos da guerra sobre a inflação.

Um prolongamento da guerra até o fim do ano – risco que, como o GLOBO mostrou, está no radar da equipe econômica – pode fazer o governo consumir mais recursos do que já estão previstos com as medidas anunciadas até o momento.

Quando anunciou a nova subvenção para a gasolina, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que o impacto das medidas até agora anunciadas, em dois meses, é da ordem de R$ 13 bilhões. Mas os valores podem rapidamente superar os R$ 30 bilhões se durarem mais de quatro meses, que era o cenário base inicial do governo. Mas com o prolongamento do conflito, esse cenário já tem sido colocado em dúvida no próprio Executivo e pode implicar um volume maior de gastos ou renúncias de receitas.

O relatório bimestral de receitas e despesas será divulgado na próxima segunda-feira, dia 24. O documento, conforme antecipou ao GLOBO a secretária de política econômica, Débora Freire, deve mostrar um aumento da projeção de inflação para 2026, atualmente em 3,7%, mas ainda dentro do limite de tolerância, de 4,5%.

Além dos impactos mais diretos, que o governo tem buscado mitigar, o choque do petróleo tem efeitos indiretos importantes sobre setores como o de alimentos por conta da alta de insumos e os problemas logísticos gerados pelo conflito no Oriente Médio.

Nesse contexto, o próprio governo já está conformado com um cenário de queda a conta gotas e ciclo mais curto de corte dos juros, dados os riscos inflacionários.