Governo deve levar ao Senado nova proposta alternativa para PEC que amplia autonomia do BC

Governo deve levar ao Senado nova proposta alternativa para PEC que amplia autonomia do BC

Fonte: Bandeira



O governo deve apresentar ao Senado ainda nesta segunda-feira uma sugestão alternativa ao parecer do senador Plínio Valério (PSDB-AM) sobre a PEC da autonomia do Banco Central, que está na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para quarta-feira.

A ideia é permitir que o BC use suas receitas financeiras apuradas em balanço (a chamada senhoriagem) e convertê-las em despesas necessárias aos investimentos nos arranjos de pagamento, como no Pix, e também para o funcionamento da autoridade monetária, como o reforço de pessoal, segundo interlocutores.

Com o tarifaço da administração Donald Trump, que mirou o Pix como um dos problemas do Brasil, e os cortes recentes no já precário orçamento do BC, o governo está com pouco espaço político para segurar a PEC.

Nesse contexto, a saída é buscar uma solução que reforça a capacidade de atuação da autoridade monetária, mas sem mudar seu status de autarquia, como está previsto no relatório de Valério e tem sido defendido pelo comando do BC. Com isso, há um ganho de autonomia, mas não tão grande quanto no formato proposto na PEC original e no substitutivo de Valério.

Além de torcer o nariz para a ampliação da autonomia, o governo teme os impactos fiscais da mudança proposta, mesmo com a excepcionalização das regras fiscais. São dois pontos considerados problemáticos: os fluxos financeiros entre Tesouro e Banco Central seriam despesas e receitas primárias muito volumosas que distorceriam a estatística, mesmo sem considerar para efeito de cumprimento de metas; e a dívida passaria a ser contabilizada na metodologia do FMI, que é entre 12 e 15 pontos percentuais mais alta do que a regra atual, porque passaria a considerar também os títulos do Tesouro que estão com o BC, mas não estão sendo usados nas operações compromissadas.

A estratégia já foi alvo de conversas nesta segunda-feira com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e as articulações devem prosseguir nessa terça-feira. A ideia do governo não tem apoio do BC, que, nos bastidores, vê como manobra protelatória. O senador Plínio Valério vinha batendo o pé de que não alterará mais seu parecer, que em sua última versão teve apoio da Advocacia-Geral da União (AGU) para ser desenhado. Mantido esse cenário, a proposta do governo terá que ser apresentada como uma emenda alternativa por outro parlamentar.